Carlos Kamiguchi é um tradicional produtor de sementes de Mauá da Serra. A família dele está na atividade desde a década de 1970 e, a partir dos anos 1990, ele está à frente do trabalho, em áreas que totalizam 310 hectares. A produção atualmente está focada nas culturas de soja e trigo e, de tudo que produz, 60% a 70% acaba sendo vendido como semente para a cooperativa Integrada, que possui três Unidades de Beneficiamentos de Sementes (UBS), sendo uma delas no município.
A região de Mauá da Serra é ideal para este tipo de trabalho. Graças às características do relevo – com áreas de 900 metros a 1000 metros de altitude – à noite as temperaturas são amenas e os dias são quentes, com chuvas bem distribuídas, garantindo a formação ideal e o bom vigor das sementes. Com um produto final de qualidade, Kamiguchi salienta as vantagens desse tipo de comercialização. "Recebemos um bônus especial na remuneração que varia de acordo com a safra. Ele gira em torno de 5% a 10% a mais do que a venda normal para a indústria", calcula.
Em média, Kamiguchi e família plantam três a quatro variedades de soja e mais três de trigo, dependendo dos lançamentos e da demanda da cooperativa. Na safra 2014/15, a produtividade da oleaginosa chegou a 60 sacas por hectare, sendo que dois terços da produção acabou sendo para sementes. No caso do trigo, com média produtiva de 55 sacas por hectare, 50% da colheita foram voltados para este mercado. "Uma outra vantagem é que conhecemos as variedades antes de serem lançadas no mercado, com antecedência. Temos um compromisso com a UBS e, dependendo de como está o mercado, precisamos fomentar a indústria. Tudo isso varia de safra para safra."
Entretanto, para que o produtor tenha rentabilidade trabalhando com sementes, ele precisa ser extremamente rigoroso em relação ao manejo das variedades na propriedade. Kamiguchi cita, por exemplo, o cuidado e a limpeza minuciosa do maquinário, para que não haja a mistura de variedades. "Outro ponto fundamental é que o manejo de plantas daninhas, doenças e do percevejo, que danifica o grão de forma muito intensa, precisa ser muito rigoroso. Com isso, temos um custo de produção adicional em torno de 2% a 3% acima do plantio normal. Precisamos estar bem preparados para cuidar da lavoura e monitorar as áreas com maior frequência."
Para 2016, devido às chuvas torrenciais, Kamiguchi estima uma quebra de safra para a soja de 10% a 15% em comparação ao ano passado. "Entretanto, se os preços se manterem na casa dos R$ 70 seria interessante. Mas isso ainda é muito especulativo", complementa.

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