As temperaturas mais altas e as chuvas prejudicaram a cultura do morango no inverno deste ano no Paraná. É o que afirmar produtores da fruta na região de Londrina. Para frutificar, o morango precisa de frio e como experimentamos um veranico nos últimos meses, os fruticultores não se mostram muito otimistas em relação à safra 2015.
"Este ano não teve frio, então a produção não está tão especial", diz Eloy Muller, produtor de morangos do distrito de Warta, na zona norte de Londrina. Ele começou a colher as frutas, cultivadas a partir de mudas importadas do Chile, em julho. Em sua propriedade, o fruticultor tem 14 mil pés mantidos em estufa e cultivados em sistema semi-hidropônico e semissuspenso. Para este ano, ele espera poder colher cerca de um quilo de morangos por planta.
Ailton Carneiro, da Chácara Carneiro, na zona sul de Londrina, conta que colheu de 1,8 quilo a dois quilos de morangos por pé no ano passado, mas diz não ter previsão de como será a colheita este ano. "Acredito que vai ser meio fraca. Esse ano não está bom por causa do excesso de chuvas. Até dentro da estufa apodreceu morango. Agora que parou a chuva, veio o calor", lamenta.
Carneiro tem cerca de 28 mil plantas semeadas a partir de mudas importadas em sua propriedade, todas protegidas em estufa. Destas, 5 mil são cultivadas em sistema suspenso e semi-hidropônico.
Para os técnicos do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), no entanto, as chuvas durante a frutificação e no período da colheita não prejudicaram a safra de morangos, que deverá se manter estável em relação à produção do ano passado, quando foram colhidas 21,2 mil toneladas da fruta.
"O clima seco está ajudando muito. Naquele período de chuvas, tempos atrás, perdemos poucos frutos por causa de doenças e, agora, a expectativa é de boa safra. Mesmo com menos frio", diz Élcio Rampazzo, implementador estadual de frutas do Emater no Norte do Paraná.
O engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) Paulo Andrade explica que a opção dos produtores de morango do Estado pelo plantio do fruto em estufas e em ambientes controlados tem diminuído as perdas. "Na Região Metropolitana de Curitiba, 10% das lavouras de morango já são suspensas. Mesmo no campo aberto se trabalha com irrigação. O manejo da água já é associado ao morango", completa.
O Deral ainda não possui dados de projeção para 2015 mas, em 2014, a média de preço pago pelo quilo da fruta no atacado foi R$ 7,81 nas Centrais de Abastecimento (Ceasa) de Londrina. Em Curitiba, o preço médio foi de R$ 6,30/kg. "O preço em Londrina foi maior tendo em vista o tamanho da produção, que é menor que na Capital", justifica Andrade.
O Estado do Paraná é o segundo maior produtor da fruta no Brasil, segundo dados do Deral, atrás somente de Minas Gerais (MG). A principal área produtora no Paraná é a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), que detém 35% do cultivo de morangos, seguida da região de Jacarezinho, com 33%. O município de Jaboti, no Norte Pioneiro, é responsável por 21% da produção, seguido por São José dos Pinhais (12%). Londrina é a quinta região produtora do Estado (2,8%) e o oitavo município, com 2,3% da colheita de morangos.

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