Produtores de mandioca enfrentam crise
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sexta-feira, 14 de outubro de 2005
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Produtores de mandioca de todo o País esperam que o apoio do governo possa amenizar a crise enfrentada pelo setor. O excesso de oferta da raiz e a baixa cotação do dólar são apontados pelas lideranças da cadeia como principais causas. O Governo Federal, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), Ricardo Bandeira Villela, deverá lançar, nos próximos dias, alguns instrumentos de comercialização para a fécula de mandioca.
Na semana passada, Villela e dirigentes de outras associações da cadeia participaram, em Brasília (DF), de audiências com integrantes da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Entre os instrumentos em estudo estão o Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e a Aquisição do Governo Federal (AGF), que poderão tirar do mercado parte da mandioca ofertada e com isso, melhorar os preços pagos pela raiz que esta semana variavam entre R$ 85 e R$ 90 a tonelada (t).
O Ministério já havia lançado o leilão do contrato privado de opção (Prop da mandioca) com a oferta de um prêmio de R$ 15,00. No terceiro leilão realizado no dia 6 de outubro foram comercializados 30% do volume ofertado.
Os produtores de mandioca, de acordo com o presidente da Abam, enfrentam uma situação bastante parecida com a dos produtores de soja plantaram a raiz com o dólar alto e agora, na hora da venda, enfrentam a baixa cotação da moeda americana. ''É uma política cambial kamikaze. A insistência do ministro Palocci vai trazer consequências sem precedentes para toda a agricultura'', indigna-se.
Nos últimos dois anos, a raiz chegou a ser comercializada entre R$ 280 e R$ 300/t. Os preços ''absurdos'', na avaliação de Villela, foram promovidos pelas indústrias de farinha dos Estados do Nordeste, maiores consumidores do produto, que para suprir a escassez da mandioca, vieram buscar matéria-prima em outras regiões produtoras. Essa demanda promoveu ainda um aumento na área plantada. ''Teve produtor que apostou na continuidade de mercado e arrendou terras a valores também muito acima da realidade'', diz Villela.
''O principal defeito da mandioca é servir para fazer farinha'', diz o presidente da Abam, numa crítica à ação das farinheiras que, para ele, promovem um ''descompasso'' no setor. Ele cita a tradição no consumo de farinha pelos nordestinos que pagam ''qualquer'' preço pelo produto. ''São valores que as fecularias não têm condições de assumir'', reclama. Essas indústrias, diferente da produção de amido, têm um funcionamento sazonal. ''As fecularias trabalham o ano todo e disputam um mercado internacional'', ressalta.
Um preço competitivo para a tonelada da mandioca, na opinião de Villela, seria o equivalente a 5 a 7 sacas de milho, ou o preço de US$ 40 (considerando uma cotação de R$ 3,00/dólar), praticado pela Tailândia, que lidera a produção mundial. ''Teríamos condições de competir com o amido de milho'', afirma.
Além dos baixos preços, a crise da mandioca está promovendo também o desemprego. Só no Noroeste do Paraná, mais de duas mil pessoas estão sem trabalho.


