O setor mandioqueiro no Paraná vive a pior crise dos últimos dez anos. Produtores reclamam do baixo preço que varia de R$ 10,00 a R$ 11,00 a saca e as indústrias de farinha de mandioca não tem para quem entregar o produto. A maioria das 150 empresas do setor em todo Estado está funcionando parcialmente. Elas operam alguns dias da semana, mas diante da dificuldade de comercializar o produto acabam ficando com o estoque cheio e são obrigadas a parar. Não existe um levantamento de quantas indústrias do setor já fecharam, mas boa parte delas, segundo o presidente da Associação das Indústrias de Mandioca do Paraná, Demerval Silvestre, está na iminência do fechamento.
Agravamento A crise no setor, conforme Silvestre, se agravou no início deste ano com o aumento da safra no Estado e a retirada da farinha de mandioca das cestas básicas distribuídas pelo governo federal. Outro fator, segundo ele, é o aumento da produção de mandioca nos estados do nordeste, especialmente na Bahia, que até 1999 era o principal mercado comprador da farinha de mandioca produzida no Paraná.
Silvestre explica que a perda do mercado nordestino não surtiu reflexos negativos no ano passado em função da crise do milho - principal concorrente da mandioca no mercado nacional. Com o preço do milho nas alturas, a farinha e a fécula de mandioca passou a ter prioridade entre os compradores e as indústrias, beneficiando assim como os produtores de mandioca do Paraná.
‘‘Este ano não temos mais o mercado nordestino e nem os governos federal e estadual comprando nosso produto’’, diz Silvestre. Sem ter para quem vender, produtores e indústrias começam a se movimentar e exigir uma contrapartida do governo. Várias propostas foram encaminhadas para a Secretaria de Agricultura do Estado e para o Ministério da Agricultura.
ReivindicaçõesEntre as reivindicações, o setor pede a reinclusão da farinha de mandioca nas cestas básicas distribuídas pelo governo federal. Ao governo estadual, os produtores e indústrias do setor pedem a inclusão da farinha de mandioca na merenda escolar. A médio e longo prazo, Silvestre diz que o governo do Estado tem que repensar a questão da mandioca e estimular o consumo do produto. ‘‘O Paraná tem que ter obrigação com o setor, porque a mandioca é a segunda atividade mais importante no Noroeste do Estado, só perdendo para a pecuária’’, garante.
Segundo ele, a crise no setor traz consequências graves à questão social. ‘‘Centenas de famílias que dependem das lavouras de mandioca estão ameaçadas pelo desemprego’’.
Dos 61 mil produtores de mandioca do Estado, 50% são da região Noroeste. ‘‘Paranavaí tem cerca de 15 mil produtores de mandioca. Este número representa muito para o município’’, diz. Segundo ele, a maioria dos financiamentos feitos nos bancos começa a vencer no mês que vem e em maio. ‘‘Os produtores estão desesperados’’. Diante da crise, uma das propostas ao governo federal é de que os bancos aceitem o pagamento da dívida com o produto.
Até o fechamento desta matéria, na última quinta-feira, os governos estadual e federal não tinham se manifestado sobre as reivindicações feitas pelas indústrias de farinha de mandioca do Paraná. O diretor de relações institucionais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Antônio Cunha, afirmou na quinta-feira, que o governo federal ainda não tinha definido a verba que seria repassada para a compra dos produtos para as cestas básicas que serão distribuídas em abril. Ele explicou que desde o início do ano, com a extinção do Programa de Distribuição de Alimentos (Prodea), o governo está adotando um sistema paliativo para manter as distribuições das cestas básicas, enviando recursos mensais para a compra dos produtos. Por causa disso, a Conab não tem estimativa do valor da verba e por isso não pode adiantar quais os produtos que serão comprados. ‘‘Estamos aguardando o repasse da verba para a compra dos produtos para as cestas de abril’’, disse Cunha.

mockup