Produtores de banana comemoram resultados
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sexta-feira, 08 de junho de 2001
Carolina Avansini De Londrina 
O plantio da banana começou há oito anos no município de Andirá, Norte do Estado, como opção de diversificação de renda após a falência das lavouras de algodão. Hoje, a cultura constitui a principal atividade de 73 agricultores, que injetam anualmente uma média de R$ 7,6 milhões na economia da cidade.
De acordo com Jackson Luiz da Cruz Pinelli, técnico da Emater em Andirá, o segredo para viabilizar a cultura foi a formação de um grupo coeso de produtores, que juntos compram insumos, ferramentas, mudas, sacos de proteção e outros implementos, além de participarem de treinamentos e excursões a tradicionais regiões produtoras. Também investiram em um sistema diferenciado de colheita, que visa garantir frutas com qualidade e boa aparência para comercialização.
Prejudicada pela longa estiagem e pelas geadas que assolaram a região no ano passado, a produção de bananas de Andirá se reduziu em 50% durante 2000. Apesar da conjuntura desfavorável, as vendas foram suspensas por pouco tempo, apenas entre outubro do ano passado e fevereiro desse ano. Atualmente, os bananais estão completamente recuperados e os produtores esperam alcançar, até julho, os mesmos níveis de produção do último ano.
Cuidados na lavoura A área ocupada pelos 73 produtores de banana em Andirá totaliza 1,3 mil hectares (ha), evidenciando a predominância de pequenas propriedades, cujo tamanho aproximado é 24,2 ha. O índice médio de produtividade é 35 mil kg/ha, com produção total de 45 mil toneladas anuais. A atividade gera 537 postos de trabalho diretos, incluindo produtores e familiares.
Para garantir mercado durante o ano inteiro, o grupo toma alguns cuidados no manejo da lavoura e redobra a preocupação na hora da colheita. O objetivo é evitar que as frutas se machuquem e sejam descartadas pelos compradores.
O engenheiro agrônomo Manuel Pessoa de Lira, da Emater Regional de Cornélio Procópio, explica que apenas três pés de banana de uma mesma família devem ser mantidos após o plantio da primeira muda. A planta inicial é chamada de mãe e dela resultam as plantas filha e neta, que também permanecem no bananal.
Os brotos restantes devem ser retirados na fase do desbaste, para garantir cachos maiores e uniformes. Quando a mãe produz suas frutas e é derrubada, a filha assume seu lugar. O espaçamento recomendado para o plantio das mudas é 2,5 metros entre ruas e dois metros entre plantas.
Lira recomenda pulverizar fungicidas no mínimo quatro vezes por ano. A cultura também necessita de adubação pesada para produzir com qualidade, por isso, os produtores aplicam uma média de 1,5 quilo de fertilizante, anualmente, para cada família. Diante do risco de geadas, é importante proteger os cachos com sacos plásticos próprios para essa função, vendidos em casas especializadas.
ColheitaA primeira colheita de banana é feita 18 meses após o plantio, que deve acontecer depois do inverno, preferencialmente. Jackson lembrou que a banana de Andirá tem boa aceitação no mercado, graças aos cuidados extras que os produtores tomam a partir da colheita.
O tratamento especial começa no momento da retirada da banana da lavoura. Para evitar danos às frutas, o transporte é feito em carretas revestidas de colchões, que levam os cachos até à casa de embalagens, uma outra novidade implementada pelos produtores do município.
Trata-se de um barracão coberto utilizado para preparar as frutas antes da venda. O modelo recomendado pelos técnicos da Emater possui cabos aéreos na parte superior da estrutura, onde os cachos são pendurados para evitar a sobreposição durante a lida. O equipamento, segundo Manuel, diminui a incidência de machucados na casca.
É na casa de embalagens que os cachos são despencados. As pencas resultantes são lavadas uma a uma, com detergente comum e sulfato de alumínio diluídos em água na proporção de 0,2%. A intenção é deixar o produto mais atrativo para o consumidor, explicou Pinelli.
Terminada a lavagem, as bananas são embaladas em caixas de madeira protegidas com plástico ou caixas plásticas protegidas com papel. O técnico ressaltou que as frutas saem verdes das propriedades e amadurecem nos climatizadores pertencentes aos atacadistas.
ComercializaçãoPara viabilizar a comercialização da produção, os produtores também se associaram. A venda é feita por dois compradores, residentes em Andirá, que entregam semanalmente oito mil caixas de 22 kg de bananas para atacadistas do interior de São Paulo.
Segundo Jackson, a banana é vendida ao preço médio de R$ 3,70 por caixa há três anos e meio. O valor é considerado bom pelos produtores, que gastam cerca de R$ 2 para produzir cada caixa. Ele explicou que a boa remuneração é justificada pelas condições climáticas desfavoráveis dos últimos dois anos, marcados por longos períodos de estiagem que ocasionaram a diminuição da oferta do produto e consequente aumento dos preços.
Os dois compradores negociam a venda das bananas com atacadistas pré-estabelecidos, que adquirem um volume fixo semanalmente. Eles sabem que oferecemos frutas de qualidade o ano inteiro, comentou o técnico.
InvestimentosA experiência dos produtores de Andirá confirma que a fruticultura é uma boa opção de diversficação para o Paraná. Manuel adverte, porém, que a implantação da lavoura demanda investimentos.
Segundo ele, a cultura da banana, por exemplo, necessita de um investimento inicial de R$ 3 mil por ha, incluindo mudas, insumos e ferramentas. A construção da casa de embalagens, com cabos aéreos, custa R$ 10 mil e o sistema de irrigação por microaspersores, R$ 2,5 mil por ha. Também é importante qualificar a mão-de-obra, para garantir o tratamento adequado à produção frutas com a qualidade exigida pelos consumidores.
O agricultor André Luiz Petrelli foi um dos primeiros a aderir ao programa de qualificação sugerido pela Emater. Arrendatário de propriedades que somam 26 ha, ele começou a plantar banana em 1994. Petrelli contou que participou, junto com outros produtores, de excursões para tradicionais regiões produtoras de banana em Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo. Adaptamos a tecnologia que eles usam para a realidade de Andirá, disse André, que também é um dos compradores do município.
O produtor garante que pratica todas as recomendações técnicas necessárias para manter a qualidade das frutas, tendo inclusive instalado uma casa de embalagens com sistema de cabos aéreos. Todos os cuidados visam a produção de frutas grandes, além de proteger a casca. Procedendo da forma correta, fica fácil comercializar, pois os atacadistas sabem que o padrão de qualidade é mantido durante todo o ano.


