Cento e trinta pequenos agricultores de Tauá, no sudoeste do Ceará, na região do semi-árido nordestino, deverão ampliar 10% a 15% de suas áreas de algodão orgânico na próxima safra, com o plantio começando em janeiro. A experiência com o sistema orgânico naquela região é antiga. Os primeiros plantios foram feitos no início dos anos 90, mas somente nos últimos quatro anos é que a produção ganhou mesmo seu perfil de atividade econômica.
Segundo o agrônomo Marcus Vinícius de Oliveira, da Esplar, uma organização não governamental que dá assistência em pesquisa e assessoria técnica ao grupo, cada produtor não tem mais do que um a dois hectares de cultivo.
Maior rentabilidade
A cultura é uma atividade que tem possibilitado rendimento de 18% a 20% a mais do que o algodão convencional e viabilizou a subsistência de famílias que no antigo sistema de produção haviam perdido suas lavouras dizimadas pelo bicudo, uma das principais pragas da cultura.
A produção já está certificada pelo Instituto Biodinâmico (IBD). De acordo com o agrônomo, em ano de clima bom a produção pode chegar a 50 toneladas de algodão em caroço. O rendimento fica em 500 quilos por hectare, um pouco abaixo do algodão tradicional que naquela região rende cerca de 600 quilos por hectare. A diferença é compensada pelo preço a mais que o orgânico consegue no mercado.
Na indústria o rendimento econômico com o orgânico pode ter um diferencial de 50% no preço. Deste percentual, até 20% fica para o produtor e o restante na associação, para custos com beneficiamento e pagamento da certificadora.
Produto exportação
A produção dos 130 agricultores é vendida pela Associação de Desenvolvimento Educacional Comunitário (Adec). A entidade, dependendo do ano, comercializa parte da produção no Brasil, mas o maior volume é exportado. A Adetec faz o beneficiamento do algodão e repassa a empresas interessadas no produto.
A Adec já vendeu parte de sua produção para uma empresa têxtil de São Paulo, que também é certificada e usa apenas matéria-prima de origem orgânica certificada na produção de mantas e xales para o Japão e Estados Unidos. Essa empresa se prepara agora para vender fraldas orgânicas para os americanos. Parte da matéria-prima poderá sair do Brasil.
O algodão orgânico de Tauá também já foi matéria-prima para confecção de camisetas da organização ambientalista Greenpeace e de peças íntimas para a ONG Tribal Company.
Segundo o agrômomo Marcus Oliveira, da Esplar, a demanda no mercado interno ainda é pequena, mas a experiência dos agricultores de Tauá insere o Brasil entre os países que hoje desenvolvem um manejo agroecológico do algodão, ao lado, entre outros, dos Estados Unidos, Austrália e Índia.
De acordo com Marcus Vinícius, o número de pessoas preocupadas com a saúde e a natureza é cada vez maior, daí a perspectiva de crescimento na demanda por produtos orgânicos, entre eles produtos do algodão.

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