A Associação dos Produtores de Leite de Maringá, que tem 33 sócios e uma leiteria montada para pasteurizar toda a produção, adotou um ‘‘código de ética’’ inédito entre criadores e grandes laticínios. Com poucos parágrafos, o código impede que qualquer animal doente, em tratamento ou curado de algumas doenças mais graves, seja fornecedor.
‘‘Não podemos admitir que uma vaca que está em tratamento, recebendo um antibiótico forte, tenha o leite distribuído para os consumidores’’, diz Laerte José dos Santos Boregas, presidente da entidade. O animal deve ser descartado e membros da comissão de ética acompanham a venda ou abate.
O código foi criado para garantir a qualidade do leite, mas exige ainda um comportamento padrão dos produtores associados e prevê a melhoria do plantel a médio prazo. ‘‘Não poderíamos montar uma entidade sem modificar a mentalidade do pequeno criador’’, diz Boregas.
Setor de embalagem da leiteriaHoje o produtor tem horário para entregar e retirar o leite, já ensacado, recebe acompanhamento de técnicos para avaliação do rebanho e principalmente participa das decisões do grupo. O plantel também tem que estar cadastrado e a partir de fevereiro o criador terá que entregar o atestado de vacina de cada vaca da propriedade.
Hoje, segundo Boregas, os sócios estão pagando para pasteurizar o leite, vendido com a marca ‘‘União’’ a R$ 0,55 o litro a nível de consumidor. Ele explica que a pasteurização custa R$ 0,05 por litro, que ainda não foi repassado ao preço final. ‘‘Estamos pensando no futuro’’, afirma.
Juntos, os 33 sócios entregam 1,5 mil litros por dia, mas a meta é alcançar o potencial máximo, de 3,5 mil litros. Alguns criadores que participam da associação ainda tem compromissos com laticínios, mas devem entregar toda a produção até o final do ano.
A entidade pretende também conscientizar os produtores associados para a importância da melhoria do plantel. Boregas explica que existem sócios que ainda pensam em quantidade de animais, mas a intenção é mudar esse comportamento. ‘‘Alguns criadores acham que compensa mais ter cinco vacas que produzem cinco litros de leite por dia do que uma que dá 30 litros’’, diz. O código de ética, continua ele, fiscaliza também o produtor.
Presidente da associação, Laerte José dos Santos BoregasA intenção é ter um fornecedor padrão, que pense em melhorar as condições que vá garantir a qualidade do leite. ‘‘Hoje nós não pensamos mais na fiscalização como era na época do leite cru. Agora nossa preocupação é com o consumidor’’, desabafa.
História A Associação dos Produtores de Leite de Maringá foi criada há quase dois anos, e reúne cerca de um terço dos criadores da cidade que entregavam leite cru. Boregas lembra que no início houve promessa de todo lado para a aquisição do equipamento, comprado no ano passado pelos próprios associados.
Pelos cálculos de Boregas, Maringá movimenta cerca de 10 mil litros de leite cru por dia, e a expectativa é que a partir da pasteurização dos associados, a fiscalização será intensificada. ‘‘Todos tiveram chance de aderir ao projeto, chegamos a reunir mais de 70 produtores, mas apenas 33 apostaram’’, lembra.
A única ajuda oficial para a montagem da leiteria foi de R$18 mil financiados pelos Proger, o Programa de Geração de Emprego e Rendas. O restante saiu tudo do bolso dos sócios. A prefeitura tem um fiscal que analisa cada tambor de leite entregue, todos os dias da semana.
A entidade tem apoio ainda da extensão rural e da Universidade Estadual de Maringá, para orientações técnicas aos produtores. ‘‘A idéia pegou e hoje várias cidades da região estão criando associações iguais’’, revela Boregas.

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