Produtores conquistam mais espaço
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sexta-feira, 11 de abril de 1997
Cristina Côrtes 
Milton DóriaFuturoProdutores de flores decidem a criação da associação, em reunião na Expo97A produção de flores da região Norte do Paraná vem se firmando como uma boa alternativa para exploração de pequenas áreas. Desde 95, quando a atividade dos produtores locais começou a ser divulgada através da Via Rural, na Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, o interesse de transformar a cidade num pólo de produção está crescendo.
Este ano, além de particiação na Via Rural, os produtores conseguiram um espaço de 250 metros quadrados numa área mais nobre do parque, para comercialização de suas plantas. E na última terça-feira, na reunião técnica promovida pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Londrina, os produtores decidiram pela criação da Associação dos Produtores de Flores do Norte do Paraná.
Segundo o agrônomo da Emater, Gervásio Vieira, a associação de produtores de flores é inédita no Brasil e será um impulso para o crescimento da atividade. O objetivo da criação de uma associação é beneficiar todos os seus membros, sejam grandes ou pequenos produtores, ou até mesmo aqueles que estão iniciando. Sem isso, ela não tem razão de existir e não se fortalace, destacou.
CréditoAproximadamente 30 produtores participaram da reunião, quando foi formada uma comissão que dará encaminhamento a formalização da associação, com a discussão dos estatutos.
Arquivo FolhaO crisântemo é uma das flores mais produzidas na região Flores
A maior dificuldade dos produtores é com relação a crédito, porque a atividade exige alta tecnologia, e isto significa investimentos. Segundo Célio Francisco, produtor de crisântemos de Arapongas, a expectativa com relação a associação é que ela poderá facilitar a reivindicação de linhas de crédito, e também tornar a assistência técnica mais acessível aos produtores.
Célio Francisco é produtor há cinco anos de crisântemos de corte e vaso. Tem uma área de 2.500 metros quadrados de estufa e está satisfeito com o retorno econômico que as flores dão. Ele cita o exemplo da comercialização do último dias das mães. Com a venda de 20 mil vasos a R$ 2,00 cada um, gannhou R$ 12 mil e teve uma custo de produção de R$ 8 mil. É uma boa rentabilidade para esta pequena área, disse ele.
Célio produz trigo e soja, mas só pensa em expandir o cultivo de flores, inclusive com a diversificação de outras espécies.
CompetênciaPara Gervásio Vieira o potencial de consumo da região é grande (80% a 90% das flores comsumidas vem de fora), mas para entrar na atividade é preciso ter competência e organização para conquistar este mercado, diz ele.
O agrônomo explica que competência é uma palavra que resume vários aspectos e condições que a atividade exige: é preciso produzir com qualidade, ter diversidade, assiduidade na oferta, preço competitivo, tecnologia de produção e estratégias de comercialização. Vencer todas estas barreiras individualmente é muito difícil. Alguns poucos conseguirão, mas em grupo, através da associação, ficará mais fácil, comentou.
Outro aspecto destacado na reunião foi o caráter social da atividade. Um produtor presente informou que em apenas 5 hectares emprega 12 pessoas. Não se tem dados gerais sobre quantos empregos são gerados pela produção de flores, mas sabe-se que é bastante significativo, explicou Gervásio.
As linhas de ação propostas aos produtores na reunião foram: união e organização; criação de canais de comercialização; conquista do mercado regional; construção de um centro de comercialização atacadista; exposição diária, atração turística, realizar anualmente exposição e feira de comercialização em setembro quando se realiza a semana da árvores, e a continuidade na participação na exposição na Via Rural.


