O produtor Edmilson Munhoz, que cultiva com o pai, José Munhoz, uma área de 14 alqueires, entre os municípios de Arapongas e Sabáudia, terá perdas nas culturas de soja e milho nesta safra. Mas os seus prejuízos serão bem menores que os seus vizinhos (que arrendam parte de suas terras), graças ao manejo e planejamento da propriedade.
A cobertura da aveia, plantada no inverno, garantiu a umidade necessária para a soja e o milho enfrentarem o período da estiagem. ''Onde tinha palhada a soja aguentou bem'', afirma, contabilizando perdas em torno de 50% no milho e 30% na soja.
No inverno o produtor dividiu a área do trigo com a aveia, ciente dos benefícios da prática. Sessenta por cento da área foi ocupada pelo trigo e onder cultivou milho no verão, plantou aveia.
Munhoz comprova também os benefícios econômicos da rotação. Segundo ele, tem gastado menos com inseticidas. ''Controlo a lagarta da soja com baculovírus e não tenho precisado de veneno para o percevejo. Quanto menos veneno utilizamos, mais os inimigos naturais conseguem dar conta dessas pragas'', afirma. Porém, o produtor já sente o efeito da falta de cuidado dos vizinhos. ''Como eles controlaram o percevejo com veneno, uma parte acabou vindo para minha área'', diz.
Munhoz apostou no escalonamento do plantio da soja, optando por variedades precoces - 3,5 alqueires - e o restante com as de ciclo mais longo. No primeiro caso as perdas foram bem maiores e o rendimento não deve passar de 40 sacas por alqueire. '' A soja de ciclo mais longo conseguiu se recuperar quando veio a chuva'', afirma.
A média de produtividade da família Munhoz é de 330 sacas por alqueire de milho e entre 110 e 120 sacas de soja por alqueire. Este ano, com as perdas, estima em 150 sacas de milho e entre 70 e 80 sacas de soja. Em 2008, em que o Brasil registrou safra recorde de grãos, a propriedade rendeu 400 sacas de milho por alqueire e a soja se manteve na média.
O produtor Marcos Antônio Martins Ribeiro, de Arapongas, também testemunhou os benefícios do manejo correto da propriedade. A boas condições de sua terra foram reforçadas com a palhada. ''Na minha propriedade tenho manchas de terra fraca; e onde tinha menos palhada a perda chegou a 80%'', relata.
A palhada, segundo ele, assegurou condições de cultivo. ''O solo ficou mais fresco e úmido e as plantas conseguiram suportar mais 12 dias sem a chuva em comparação com outras áreas'', diz. Os dois produtores não investem no milho safrinha. Eles disseram que no ano que optaram pela segunda safra do milho, perderam quase tudo com a geada. (R.C.)

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