Produtores compram terra para reserva em Ilha Grande
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de março de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Trezentos dos 4 mil alqueires disponíveis no Parque Nacional de Ilha Grande, na Região Noroeste do Paraná, para negociação com proprietários que precisam comprar terras para manutenção de Reserva Legal, já foram adquiridos e estão sendo repassados para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama-PR). A medida está viabilizando o pagamento de indenizações para os ex-ilhéus, que esperam pela compensação financeira desde a criação da área de preservação em 1997.
A lei obriga os produtores a manter 20% das propriedades como reserva ambiental. Uma portaria do Ibama publicada no final do ano passado permite que os donos de terras dos 168 municípios pertencentes às bacias hidrográficas do Paraná 1, 2 e 3, Ivaí, Piquiri e Paranapanema IV podem comprar áreas no Parque Nacional de Ilha Grande.
O produtor José da Silva Martins, de Maringá, comprou uma área em Ilha Grande e espera a regularização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para averbar o lote. Assim, ele consegue regularizar a situação das terras que possue em Maringá, Alto Piquiri e São Jorge do Ivaí.
Para ele, a medida é acertada porque beneficia tanto o proprietário rural quanto os ex-ilhéus do parque nacional. ''Outra vantagem é que a manutenção da reserva fica por conta do governo. E as terras de alta fertilidade daqui são muito mais caras'', afirma. Martins acrescenta que mantém cerca de 10% de reserva legal, como mata ciliar, em suas terras.
Dono de área em Itambé, Durval Rampelotti está negociando a compra de terras no Parque Nacional de Ilha Grande. Ele defende que a aquisição pudesse ser feita em qualquer região do País, inclusive ''na Amazônia.''
''É sempre o produtor quem paga o pato. Quando comprei as terras, não havia essa exigência. E nas cidades, alguém é obrigado a deixar um espaço para mata?'', questionou. O produtor acrescentou que a lesgislação deverá causar a queda na produção de grãos do Estado por diminuir a área cultivada.
O número de beneficiados pela permissão para negociar com proprietários rurais poderia ser bem maior. Hoje, 250 processos do tipo estão em andamento, num universo de 841 ilhéus que estariam aguardando as indenizações.
O responsável pelo georeferenciamento das áres no Parque Nacional, Benedito Milléo, explica que as negociações estão formalizando a existência da área de preservação. ''O parque existe de fato, mas só agora está passando a existir de direito, já que os ilhéus estão aguardando a indenização há dez anos'', diz.
SERVIÇO
Os produtores interessados em adquirir áreas no Parque Nacional de Ilha Grande com o objetivo de cumprir a legislação que prevê a manutenção de reserva legal nas propriedades rurais podem entrar em contato com o engenheiro agrônomo Benedito Milléo Junior pelo telefone (44) 3642-2570.


