Produtores de sementes de soja transgênica da região de Mauá da Serra (80 km ao Sul de Londrina) comemoraram a aprovação pela Câmara dos Deputados da Lei de Biossegurança, que, entre outras medidas, autoriza o plantio destas variedades em todo o território nacional. Eles integram um grupo de 12 proprietários que, em parceria com a empresa Sementes Mauá, plantaram nesta safra grandes áreas de cultivares transgênicas desenvolvidas pela Embrapa Soja e pela Cooperativa Central de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico (Coodetec), de Cascavel.
A Sementes Mauá, que terceiriza a produção de sementes com produtores de Mauá da Serra, Tamarana, Faxinal e Marilândia do Sul, investiu forte e está, este ano, com uma área de 1.500 hectares de transgênicas, a maior da região Norte do Estado. O número representa 15% da área total disponibilizada pela empresa, de 9 mil hectares. O restante é ocupado com cultivares convencionais.
Segundo o gerente de produção Mauro Palhares, a empresa nem precisou se esforçar para convencer os produtores a plantarem transgênicas porque a iniciativa partiu deles próprios. ‘‘O produtor hoje aceita se arriscar e está sempre ansioso por experimentar tecnologias, porque quer aumento de rentabilidade’’,
comentou.
Como em novembro do ano passado foi autorizada, mediante Medida Provisória, a multiplicação de sementes transgênicas, mas não o seu plantio comercial, a empresa decidiu arriscar e logo encontrou produtores interessados que esgotaram a quantidade de sementes transgênicas recebidas. ‘‘Implantamos 18 campos de sementes esperando que a Lei de Biossegurança fosse aprovada este ano. Caso não fosse, não teríamos o que fazer com essa safra, a não ser vender para a indústria moer. Como deu certo, agora estamos uma safra na frente de quem não multiplicou sementes’’, disse Tomoaki Miyamoto, diretor comercial da empresa.
Aprovação – Entre os produtores, o discurso é otimista, pois apostam que a transgênica reduzirá os custos de produção e aumentará a rentabilidade. Minoru Takahashi plantou 109 hectares da variedade CD213-RR e 157 hectares da CD214-RR, ambas desenvolvidas pela Coodetec. O plantio foi feito de 9 a 23 de novembro, nas duas áreas, e a colheita deve iniciar por volta de 9 de abril.
‘‘A lavoura ainda está na fase de enchimento do grão e a estiagem vai reduzir a produção. Então, este ano, não vai dar para ter uma base da produtividade. Mas já deu para comprovar a redução do custo com a aplicação de herbicida, que eu passei uma vez só e controlou todo o mato. A lavoura está limpinha e, na hora da colheita, isso também reduz os custos, porque o mato não embucha a colhedeira e o grão tem menos impurezas’’, relatou Takahashi.
Segundo José Yamanaka, que plantou 40 hectares da cultivar BRS245-RR, da Embrapa, a redução de gasto com herbicida é significativa. ‘‘Em vez de fazer três aplicações depois do plantio, duas para folha larga e uma para folha estreita, como no sistema convencional, eu apliquei só uma (de glifosato). Somado à economia que a gente tem na colheita, porque colhe ‘no limpo’, dá uma redução de custo de 8 a 12 sacas por hectare. Isso dá uns R$ 300 a R$ 350 por hectare, uns 20% em média’’, garantiu. A sua soja está iniciando o enchimento do grão. ‘‘Como é uma variedade tardia, só vamos colher daqui a 45 dias. Então, se chover um pouco, essa lavoura ainda tem potencial para produzir 50 sacos (3 mil quilos) por hectare’’, disse ele.

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