Produtores comemoram chuva e preveem boa safra

Apesar da seca de cerca de 40 dias no Norte do Paraná, os produtores de trigo da região veem boas chances de ter uma colheita satisfatória na safra 2017/18. Atentos às previsões climáticas, eles plantaram no solo seco e receberam com otimismo as precipitações de meados de maio. "Esperei até aparecer uma chuva mais consistente, plantei no pó e choveu em cima, o que é benéfico", conta o agricultor Mauricio Okimura, do distrito londrinense de Paiquerê.
Por seguir à risca a rotação de culturas, ele diz que sempre planta, no inverno, metade da área com milho e metade com trigo. Assim, afirma que não sobram muitas condições de alterar os planos de acordo com o preço. "Acredito que posso perder até 40% no milho por conta da seca e, no trigo, tenho de esperar para ver. Dizem que vai chover no fim de semana, mas, mesmo que não chova, é provável que se mantenha com pouca chuva porque os dias são mais curtos e sobra mais orvalho na plantação", cita Okimura.
Para o agricultor João Nazima, do distrito de Guaravera, não vale a pena escolher a cultura de inverno somente de olho nas cotações. "Não consigo prever. Na hora do plantio é um preço e na colheita é outro."
Nazima afirma que prefere fazer a rotação de culturas, divididas entre trigo e milho. "Plantei milho em fevereiro e veio a seca, mas estava adiantado. O trigo também é de risco, estou ciente, mas sempre faço seguro", diz.
Outra alternativa usada pelo produtor em Guaravera é fazer a permuta com uma cooperativa, na qual troca os insumos por uma quantia de sacas da colheita. Assim, diz Nazima, evita a preocupação e os altos juros cobrados por bancos. "Também fiz contrato para o milho e para o trigo. No caso do milho, hoje o preço é R$ 34 e fiz acordo mais baixo do que isso, mas não me arrependo, porque sei que é mais do que o meu custo e nunca espero lucro alto no inverno."

Qualidade
Ambos os produtores afirmam que se preocupam com a qualidade do trigo que plantam, de forma a ter maior liquidez e preços mais remuneradores. "Não adianta, se não entregar um grão melhor, não consigo um preço bom. E também faço a reprodução de sementes para a cooperativa", diz Nazima.
Okimura vai pelo mesmo caminho. "Todos estão mais exigentes e plantamos para fazer farinha de qualidade", diz. (F.G.)





