Imagem ilustrativa da imagem Produtores comemoram chuva e preveem boa safra
| Foto: Celso Pacheco/19-5-2015



Apesar da seca de cerca de 40 dias no Norte do Paraná, os produtores de trigo da região veem boas chances de ter uma colheita satisfatória na safra 2017/18. Atentos às previsões climáticas, eles plantaram no solo seco e receberam com otimismo as precipitações de meados de maio. "Esperei até aparecer uma chuva mais consistente, plantei no pó e choveu em cima, o que é benéfico", conta o agricultor Mauricio Okimura, do distrito londrinense de Paiquerê.

Por seguir à risca a rotação de culturas, ele diz que sempre planta, no inverno, metade da área com milho e metade com trigo. Assim, afirma que não sobram muitas condições de alterar os planos de acordo com o preço. "Acredito que posso perder até 40% no milho por conta da seca e, no trigo, tenho de esperar para ver. Dizem que vai chover no fim de semana, mas, mesmo que não chova, é provável que se mantenha com pouca chuva porque os dias são mais curtos e sobra mais orvalho na plantação", cita Okimura.

Para o agricultor João Nazima, do distrito de Guaravera, não vale a pena escolher a cultura de inverno somente de olho nas cotações. "Não consigo prever. Na hora do plantio é um preço e na colheita é outro."

Nazima afirma que prefere fazer a rotação de culturas, divididas entre trigo e milho. "Plantei milho em fevereiro e veio a seca, mas estava adiantado. O trigo também é de risco, estou ciente, mas sempre faço seguro", diz.

Outra alternativa usada pelo produtor em Guaravera é fazer a permuta com uma cooperativa, na qual troca os insumos por uma quantia de sacas da colheita. Assim, diz Nazima, evita a preocupação e os altos juros cobrados por bancos. "Também fiz contrato para o milho e para o trigo. No caso do milho, hoje o preço é R$ 34 e fiz acordo mais baixo do que isso, mas não me arrependo, porque sei que é mais do que o meu custo e nunca espero lucro alto no inverno."

O produtor Maurício Okimura diz ter esperado por uma chuva mais consistente para iniciar o plantio: "Plantei no pó e choveu em cima, o que é benéfico", comemora
O produtor Maurício Okimura diz ter esperado por uma chuva mais consistente para iniciar o plantio: "Plantei no pó e choveu em cima, o que é benéfico", comemora



Qualidade
Ambos os produtores afirmam que se preocupam com a qualidade do trigo que plantam, de forma a ter maior liquidez e preços mais remuneradores. "Não adianta, se não entregar um grão melhor, não consigo um preço bom. E também faço a reprodução de sementes para a cooperativa", diz Nazima.

Okimura vai pelo mesmo caminho. "Todos estão mais exigentes e plantamos para fazer farinha de qualidade", diz. (F.G.)

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