Produtores cobram mais apoio
O produtor Guilon Tenório e sua esposa Maria Helena Godoy Tenório já sentiram no bolso a influência do dólar na hora de comprar fertilizantes. "Os preços dos insumos estão sempre evoluindo, mas as commodities têm muitos altos e baixos", observa Tenório. O agricultor percebeu que vai ficar mais caro para produzir nos próximos meses quando foi trocar as sacas de soja por insumos que serão utilizados na safra de inverno nas lavouras de trigo e milho.
Tenório salienta que o custo de produção só não é maior porque faz a troca de sementes de soja por insumos na cooperativa Integrada, organização da qual é associado. Mesmo assim revela que este ano precisou dar mais sacas da oleaginosa para a aquisição da mesma quantidade de insumo retirada no ano passado.
De acordo com dados do Deral, o valor médio da saca de soja fechou março em R$ 58,87, ante R$ 56,19/saca em fevereiro e R$ 63,36/saca em março de 2014. Nesta safra ele plantou 768 hectares de soja na zona sul de Londrina. Tenório reclama que o agronegócio brasileiro não recebe apoio, mesmo sendo um dos principais setores da economia. "O agricultor tem um papel fundamental para o País, mas somos marginalizados, não ganhamos a devida importância." Tenório se refere à falta de políticas de preços mínimos, logística ineficiente e baixa capacidade de armazenagem.
Com relação ao PIB do agronegócio, o casal de agricultores reforça que se o setor recebesse mais investimentos, os resultados finais seriam melhores.
Tenório e Maria Helena citam entre os empecilhos o aumento dos juros nos programas de aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas. Como produzem sementes, precisam de ferramentas de alta tecnologia, mas com os juros muito altos, já adiantam que ficará difícil comprar equipamentos. E novas tecnologias significam um aumento na produtividade. "Os juros altos e os impostos irão prejudicar o desenvolvimento do agronegócio", lamenta Tenório. (R.M.)





