Produtores de flores de diferentes regiões entrevistados pela FOLHA foram unânimes em apontar que, a cada ano, a demanda vem crescendo. Eles relatam que os negócios só não avançam mais porque há problemas a serem contornados.
''Tudo que eu produzo eu vendo, e falta produto para atender a demanda. Não tenho como produzir mais. Faltam mão de obra qualificada e assistência técnica. Quando preciso de assistência, tenho que procurar em São Paulo'', diz Júlio Hamamoto, produtor de rosas de corte em Cianorte (80 km a leste de Umuarama).
Ele diz que existe concorrência do produto de São Paulo, mas que esse não é um grande problema. ''Quando vem produto de lá, ele está há duas semanas no caminhão. A minha produção, em três dias, já está disponível para o consumidor, porque vendo na região. A flor chega mais 'fresca'. Pela qualidade, consigo um ponto a mais'', explica Hamamoto.
Ele acredita que o principal entrave é a falta de um mercado estruturado, que ele está tentando fomentar na região. ''A produção é crescente. Estou incentivando o pessoal daqui a produzir também. Vou de propriedade em propriedade. Pretendo montar uma cooperativa. Não adianta montar o mercado se não vai ter mercadoria para vender'', justifica Hamamoto, que critica os produtores que ''desistem facilmente'' da produção de flores. ''Todo mundo sabe plantar soja. Cuidar de flor, não é todo mundo que sabe'', afirma.
Orlando Motomu Sakazaki, produtor de flores de corte e em vaso em Maria Helena (32 km a nordeste de Umuarama), também lamenta a falta de um mercado estruturado na região. ''A produção podia estar melhor. O preço não altera já há bastante tempo. Muita gente está plantando e a coisa acaba não rendendo tanto. Seria bom se houvesse uma cooperativa'', comenta.
Guiomar Giacobo Rohr, que produz orquídeas em Marechal Cândido Rondon (90 km a oeste de Cascavel), critica a falta de crédito para os produtores de flores. ''Em São Paulo, os bancos financiam a produção. No Paraná, na nossa região, não há linhas de crédito específicas'', explica a produtora.
Silvestre Waenga, de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), lamenta a predominância de produtos de São Paulo no comércio de flores da região. ''O cliente tem que descobrir e valorizar a produção local'', diz ele, que há nove anos produz flores em vaso. (F.G.)

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