Produtores buscam alternativa
Kraw PenasPlantio de batata mecanizadoOs produtores de batata da região metropolitana de Curitiba, responsáveis por 65% da produção do Estado, estão buscando alternativas para sobreviverem no mercado. A ordem é escalonar o plantio, compartilhar o máximo de informação sobre o aumento de produtividade e não aumentar a área plantada.
Em Contenda, município conhecido como a Capital da Batata, os produtores estão constatando que se não partirem para um plantio tecnificado, com variedades mais aceitas pelo mercado, dificilmente competirão com a produção do Mercosul e de outros estados. Depois de passarem pela maior crise entre 1995 e 1997, quando os preços cairam para até R$4,5 a saca, enquanto o custo de produção era avaliado em R$8,00 a saca, os produtores estão mudando a estratégia de produção.
Kraw PenasPaulo Dzierwa, presidente da AbaparQuadro favorávelEste ano a oferta menor de produção no mercado elevou os preços e o produtor ganhou até 100% acima do custo de produção na comercialização da safra das águas. Mas este quadro favorável não representa estabilidade. Os produtores temem novamente uma superoferta de produção e nova derrubada dos preços. Para evitar a repetição dos prejuízos e reduzir custos, os produtores mais tecnificados estão partindo para o associativismo, através da união das estruturas de comercialização e distribuição da produção.
É o caso do presidente da Associação dos Bataticultores do Paraná (Abapar) , Paulo Dzierwa, que se uniu com mais sete membros da família e conseguiu reduzir em 10% os custos de comercialização, fazendo vendas diretas no mercado. As estruturas de plantio de 400 hectares por ano, em duas safras, mantêm-se individuais, mas o restante das atividades foram unidas para fortalecer o grupo e negociar diretamente, sem a ajuda de intermediários, contou. Parte da produção é destinada à indústria Elma Chips e parte vai para o mercado regular.
Kraw PenasDonato Skraba mostra as caixas com batata-semente importadas da HoldandaA família do produtor Donato Skraba, que trabalha com batata há 20 anos em Contenda, adotou o mesmo sistema. Donato e três irmãos investiram R$15.000,00 na importação de nove toneladas de batata-semente da variedade Mona Lisa, da Holanda. A partir dessa importação a família vai produzir a semente básica e reproduzir por duas a três safras, produzindo a própria semente. Segundo o lavrador, só o investimento na produção de batata-semente representa entre 30% e 35% do custo de produção das lavouras.
ConcorrênciaPara Donato Skraba, a tecnificação com escalonamento no plantio, escolha de variedades adequadas ao mercado e importação de semente são iniciativas que favorecerão a competição dos bataticultores de Contenda e região metropolitana de Curitiba. Ele justificou que a concorrência do Mercosul e da região do Cerrado de Minas Gerais e de São Paulo está forte e por isso os produtores paranaenses precisam colocar bons produtos no mercado, incluindo variedades de qualidade para fins culinários e também de boa apresentação.
A vantagem de produzir a própria batata-semente, segundo Dzierwa, é que os produtores que importam fazem a hoging, que é a erradicação de plantas doentes. Os produtores que fornecem semente no mercado nem sempre fazem esse trabalho como deve ser feito, explicou. Dzierwa planta as variedades Panda e Atlantic (específicas para industrialização) numa área própria de 100 hectares, onde espera colher 1.000 sacas por alqueire nesta segunda safra. Segundo o produtor essa produtividade corresponde a 24 toneladas por hectare, acima da média da região que é de 15 toneladas por hectare.
QualidadeA melhoria do padrão de produção da região de Contenda já está atraindo a atenção de grandes grupos alimentícios como Arisco e Visconti, interessados em firmar parcerias com o produtor, informou Dzierwa. Segundo ele o nível de industrialização da produção na região equivale a 5% da produção brasileira, mas tem potencial para crescer. O presidente da Abapar acredita que os produtores que se organizarem terão condições de atender esse mercado porque as indústrias devem optar por reduzir as importações e se abastecerem no mercado interno. Em 1996 o País importou 56.000 toneladas de batata, das quais 23.000 toneladas foram importadas pela rede de fast food McDonalds. Este volume corresponde à produção de 10.000 hectares de lavouras, comparou Dzierwa.
Kraw PenasO produtor tecnificado controla a produção e a comercialização no computador.Ao mesmo tempo em que se tornam evidentes os avanços dos médios e grandes produtores que estão se profissionalizando e fortalecendo a produção de batata, os pequenos produtores estão impedidos de plantar a segunda safra por absoluta falta de crédito. Cerca de 80% dos 5.500 produtores não recorreram ao crédito bancário este ano e optaram por reduzir a área de plantio.
Desse total, apenas 60 produtores conseguiram recursos no banco para o plantio da segunda safra, disse o diretor da Abapar, Luiz Bueno. Ele lamenta a situação dos produtores que não conseguem adotar tecnologia, mas acredita que a tendência é permanecerem apenas os produtores profissionais na atividade. Isto porque o investimento no plantio de batata é alto, da ordem de R$3.500,00 a R$ 5.000,00 por alqueire e nem sempre o mercado é favorável como foi na safra das águas.
O produtor Mieceslau Borkoski, que cultiva batata há 25 anos, teve uma rentabilidade de 60% na safra passada. Para a segunda safra, Borkoski está plantando 25 hectares das variedades Elvira, Contenda e Atlantic, que são variedades mais rústicas, comuns. Exceto a variedade Atlantic, que atende às necessidades da indústria, as outras variedades são comuns e não muito aceitas pelo mercado. Mas o produtor insiste no plantio, na esperança de recuperar os prejuízos das safras anteriores, explicou. Borkoski tem saudades do tempo que ganhava 100% de rentabilidade com a batata. Ele plantava de 36 a 48 hectares por safra e depois de sofrer pesados prejuízos durante quatro safras consecutivas, reduziu o plantio para 12 hectares. Com o sucesso da safra passada está voltando a plantar 25 hectares.
Para Bueno, esse tipo de comportamento é preocupante, se a área plantada não é acompanhada de tecnologia: Se esse ciclo não for interrompido, certamente a produção vai aumentar novamente, os produtos não serão aceitos pelo mercado e os preços voltarão a cair, jogando o produtor na inadimplência novamente.





