Produtores aprovam a mudança
Verônica Revnwyi e o marido, João dos Santos Vaz, cultivam 32 espécies diferentes numa área plantada de menos de um hectare numa propriedade na localidade de Banhado Vermelho, em Turvo. No ''cardápio'' da produção, constam alecrim, alcachofra, poejo, calêndula, melissa, funcho, menta, orégano, capim-limão, perpétua, sálvia, alfazema.
Verônica relata que o casal começou a se interessar por esse tipo de cultivo há quatro anos. ''Meu filho foi construir uma casa para uma mulher que plantava medicinais e veio me contar como era. Foi aí que nos interessamos'', lembra a agricultora. ''Plantamos um pouco de tudo. Antes, a produção era grande e o comércio, muito fraco. Agora, é o contrário. Há muito comércio e a produção não acompanha.''
O casal antes plantava milho, feijão e arroz. Hoje, comemora a opção por priorizar o cultivo de espécies para fins medicinais, chás, cosméticos e temperos. ''As coisas estão melhores. Em menos espaço, dá muito resultado. Exige trabalho, é claro. Você tem que ficar sempre limpando, tomando cuidado para não aparecer praga. Mas o retorno é grande'', garante Verônica.
Ela e o marido plantam essas espécies misturadas no mesmo terreno: andando na propriedade do casal, o visitante se depara com plantios de calêndula, funcho, alfazema e tomilho em um espaço de pouquíssimos metros. ''Aproveitamos bem a área. Quando tiramos um produto, já colocamos outro no mesmo lugar'', explica a agricultora.
José Mayer Krychak, conhecido em Turvo como Renato, não se arrependeu ao trocar de produção. ''Trabalhei três anos com fumo, e foram três anos de prejuízo. Antes disso, plantava milho. Mudei de produção há dois anos. Hoje, planto melissa, capim-limão, alcachofra (na localidade de Alto do Tamanduá). Comecei bem devagar a produção de medicinais. Vi que era uma fonte de renda melhor para pequenas propriedades. Um plantio de melissa dá uma renda de R$ 15 mil por hectare. É um ótimo negócio'', afirma o produtor.
''Dá mais mão de obra, é verdade. Mas, além de não ter mais prejuízo, não tenho que lidar com agrotóxico. Para a saúde, é outra coisa'', complementa.
Atualmente, o espaço de melissa na propriedade de Renato está mirrado, com as plantas secas. A espécie não resiste ao tempo muito frio: deve ser plantada a partir do início da primavera, e as colheitas podem ser realizadas até as últimas semanas do outono. Renato gostou da experiência com melissa e pretende aumentar a produção. ''Nesse ano, vou aumentar a área plantada de 0,3 para um hectare'', planeja. (F.G.)





