Mesmo sem recomendação técnica e fora do período indicado para o plantio da safra de verão, produtores de Floresta (25 quilômetros a oeste de Maringá), já começaram a semear a soja. O município abriga uma das maiores áreas de milho safrinha da região. A previsão é que a soja ocupe 11 mil hectares de área, contra 1,5 mil hectares de milho, que perde área depois das perdas ocasionadas pela geada na safrinha. ‘‘Não recomendamos o plantio agora, mas alguns produtores estão com a área pronta, aguardando apenas uma chuva para plantar’’, revela Paulo Roberto Milagres, da Emater de Floresta.
Ganhar tempoO período recomendado para o plantio de soja no município começa no próximo dia 15 de outubro. Parte dos produtores no entanto estão plantando já no início de outubro para adiantar a colheita e ganhar tempo com a safrinha de milho. ‘‘O risco é de quebra no rendimento’’, avisa Milagres. No ano passado, as áreas cultivadas mais cedo apresentaram média de 80 sacas de soja por alqueire, contra a média de 120 sacas no mesmo espaço.
A média, no entanto, ficou abaixo do rendimento ‘‘normal’’ no município, em torno de 160 sacas por alqueire. ‘‘A quebra da produtividade mesmo nas áreas cultivadas dentro do prazo recomendado foi a falta de uma melhor distribuição das chuvas’’, revela o técnico. Como na última safrinha boa parte dos agricultores perderam a lavoura de milho, agora existe a pressa em adiantar o plantio da soja para evitar novas quebras por causa de geadas.
Segundo Milagres, o rendimento do milho safrinha sem nenhum problema, pode chegar a 300 sacas por alqueire, igual à média alcançada na safra normal da cultura. ‘‘O pessoal também vai plantar mais soja porque está saindo de uma lavoura de milho e tem que mudar a cultura’’, explica.
Falta dinheiroO plantio antes do período recomendado só não será maior, segundo ele, porque boa parte dos agricultores está descapitalizado. ‘‘Alguns estão até plantando milho agora para tirar verde e fazer dinheiro a curto prazo’’, conta.
A falta de dinheiro está fazendo com que até produtores que dificilmente recorrem ao financiamento, busquem informações sobre as linhas de crédito. ‘‘A procura por qualquer tipo de ajuda tem sido grande’’, diz Milagres. O que também pesa para que o agricultor aguarde a época ideal para o plantio, já que o período recomendado tem que ser seguido à risca quando a lavoura é financiada. Outro fator que deve segurar o produtor que pretendia plantar já é a falta de liberação da área atingida pelas geadas. São lavouras seguradas que aguardam a vistoria e não podem ser plantadas.
‘‘Já estou preparando a terra mas vou plantar só depois do dia 20 de outubro’’, garantiu o agricultor Dario Inácio de Brito, que na semana passada roçava uma área de 11 alqueires em Floresta. Ele disse que conseguiu ‘‘tirar’’ 150 sacas por alqueire de milho safrinha, que plantou cedo e não foi atingido pelas geadas. Depois da roçada, Brito explica que ainda será preciso aguradar a brotação de ervas invasoras, fazer a dessecação e só aí iniciar o plantio. ‘‘Se chover dentro do prazo que a gente espera’’, completa. Na média a área rendeu 142 sacas de soja por alqueire na safra passada.
O produtor garante que antes do dia 20 próximo não tem como iniciar o plantio. ‘‘Vou plantar no período ideal, apesar da experiência que tive este ano’’, lembra. Ele conta que em outra área, de 40 alqueires próximo à Maringá, entrou com a soja mais tarde, colheu na média de 151 sacas por alqueire, e plantou o milho safrinha. ‘‘Na fase de granação a geada chegou com tudo e acabou com a lavoura de milho’’, lamenta. A sorte, diz Brito, é que a área estava coberta pelo seguro.
A ‘‘estratégia’’ dos produtores de Floresta é iniciar a colheita de soja antes do restante da região, alcançando um valor mais alto e depois ter milho na entressafra. ‘‘Se houver quebra dentro do que podemos considerar normal, a gente acaba ganhando no preço’’, acha Brito. Além disso, completa ele, no inverno não compensa plantar trigo. ‘‘Experimentei trigo algumas vezes mas desisti da cultura há cinco anos e não me arrependo’’, afirma.

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