Produtores ampliam área de plantio com o método
O cafeicultor Nilton Cesar Anelli deu início ao método em um talhão de meio hectare em sua propriedade localizada em Cornélio Procópio. Em 2007, ele esqueletou e podou as plantas com decote baixo (1,20 metro). Assim, ele teve uma ''Safra Zero'' em 2008 e, na sequência, três safras com alta produtividade.
Anelli possui lavoura adensada e alterna as áreas em que aplica a técnica para ter alta produtividade todos os anos. ''Minha produção estava caindo, e, por isso, resolvi adotar a Safra 100'', revela. Na área cultivada com café há cerca de 10 anos a produtividade costumava ser de 35 sacas por hectare, mas o desempenho estava reduzindo para 20 sacas por hectare nos últimos anos. ''Hoje, após o esqueletamento, a média na propriedade é de 45 sacas por hectare'', comemora Anelli.
Na Fazenda Pilar, também em Cornélio Procópio, a média de produção é de 80 sacas por hectare, mas o objetivo, segundo o administrador João Walter Pereira, é chegar a 120 sacas por hectare. A propriedade, com 120 hectares, possui atualmente 980 mil pés de café e a intenção é ter colheita todos os anos. ''Vamos escalonar os talhões por idade e estamos preparando a lavoura para o esqueletamento. Pretendemos iniciar o 'Safra 100' em três anos. Sabemos que gera produtividade'', avalia.
O engenheiro agrônomo do Emater de Carlópolis, Otávio Oliveira da Luz, trabalha com o método há 10 anos na região e relata que cerca de 80% das propriedades do município utilizam a ''Safra 100''. Ele revela que nas lavouras que adotaram a técnica, a produtividade varia de 70 a 120 sacas por hectare. ''Dependendo da condição das plantas, a média pode ser de 90 a 100 sacas por hectare em ano de 'Safra 100'. Ao dividir esse valor por dois para fazer a média com o ano de 'Safra Zero', a produtividade fica em torno de 45 ou 50 sacas, o que consideramos ótimo'', argumenta.
Análise
Mas o coordenador estadual do Projeto Café do Emater, Cilésio Demoner, reforça que cada propriedade precisa passar por uma análise de solos antes da aplicação da técnica. ''Às vezes, é preciso preparar a área antes da poda. Se a lavoura não estiver adubada, o produtor pode perder toda a produção ao fazer o esqueletamento'', alerta. Além disso, Demoner orienta que o cafeicultor deve manter a adubação todos os anos, pois um descuido pode comprometer o trabalho.
Otávio Oliveira da Luz ressalta que a opção pela forma mais adequada de uso da ''Safra 100'' depende de avaliação de agrônomos e técnicos agrícolas, levando em consideração o estado de cada cultivo. O Emater possui unidades demonstrativas da ''Safra 100'' em seis regionais: Carlópolis, Mandaguari, Santo Antônio da Platina, Apucarana, Grandes Rios e Cornélio Procópio. Os cafeicultores interessados em saber mais sobre a técnica e como implantá-la em sua lavoura, devem buscar informações na regional mais próxima. (M.F.)





