Produtores adotam o consumo consciente
Longe de ser modismo, o consumo de orgânicos exige algo mais do que a disponibilidade de produtos para atender o gosto e o paladar. ''Comer um produto saudável requer consciência, paciência e persistência'', diz a empresária Rosana Andrade, que há cinco anos comercializa orgânicos, de alimentos a artigos de limpeza. O consumidor, segundo ela, não pode exigir um produto orgânico fora da estação que não vai encontrar. ''Tudo tem sua época. A época da natureza não é a mesmo do homem'', ensina.
Se levarem em conta essa premissa, continua, as pessoas vão comer alimentos mais saudáveis e saborosos. A empresária afirma que nota mudanças de comportamento, com o aumento da clientela. ''Se tivesse mais 50% ou 60% de produtos teria compradores'', assegura.
A própria Rosana fez opção pelo consumo de orgânicos e afirma ter ganhos, sobretudo com a saúde. ''Mas a humanidade inteira tem benefícios ambientais, com a família e as futuras gerações'', exemplifica. De acordo com a empresária, o cuidado com a alimentação faz parte de uma opção de vida, que inclui mudanças de atitude e de paradigmas.
Gisele Bianchini e Leornado Florêncio da Silva Júnior, de Marilândia do Sul, adotaram esse conceito para a vida e o reproduzem na atividade econômica. O casal vive numa propriedade de quase 4 hectares, onde produz frutas orgânicas que são transformadas em geleias e passas, comercializadas em várias regiões do Brasil. A produção e a agroindústria têm certificação de ogânicos.
Da pequena indústria instalada na propriedade saem 1,6 mil unidades de geleia de morango, morango com pimenta, kiwi, banana com laranja e ainda banana e caqui desidratados. Também são cultivados maçã, framboesa e amora. Para divulgar o modo de vida e de produção, o casal instituiu o ''colhe e pague'' na safra de morango. ''As pessoas colhem a fruta diretamente da lavoura e pagam depois de pesado'', explica Leonardo. Gisele acrescenta que é uma oportunidade para os compradores, principalmente crianças, conhecerem o cultivo da planta.
A propriedade do casal fará parte da Rota do Agronegócio, programa do Sebrae que tem o objetivo de divulgar as atividades em propriedades que se destacam no setor. ''Estamos nos adaptando para as visitas didáticas, que vão estimular o consumo consciente, aproveitamento de energia e respeito ao ambiente'', sintetiza Leonardo.
Nos suprmercados paranaenses a oferta de orgânicos é pequena. Na rede Super Muffato, segundo a assessoria de imprensa, hoje o volume de vendas dessa categoria ainda é pequeno se comparado a comercialização dos produtos industrializados, mas a direção verifica mudança frequente no movimento. O setor de produtos orgânicos é encontrado em todas as lojas da rede, sendo que duas delas oferecem o mix completo.
Conforme a demanda e atendendo aos pedidos dos clientes, o mix é ampliado nas demais lojas da rede, atualmente em 11 cidades do Paraná e em Presidente Prudente (SP). ''Os clientes estão solicitando mais variedades de mercadorias orgânicas e mais opções de sabores de alguns produtos, com isso até os fornecedores estão buscando ampliar o mix'', afirma o diretor do Super Muffato, Everton Muffato. Segundo a assessoria, a rede oferece hortaliças, biscoitos, massas e outras mercadorias produzidas sem a utilização de química ou hormônios sintéticos, que alteram o crescimento natural do alimento. (R.C.)





