Produtores conectados via WhatsApp, informados acerca de possíveis situações de pragas e doenças que podem surgir nas lavouras de soja. O que parecia algo impensável há alguns anos, hoje é realidade e funciona efetivamente na região de Londrina. Semanalmente informações sobre coleta de esporos da ferrugem e incidência de pragas em unidades de referência são enviadas pelo aplicativo telefônico para cerca de 70 pessoas, entre produtores, filhos de produtores, estudantes de agronomia envolvidos com o Instituto Emater e até pessoas ligadas a cooperativas e revendas de insumos.

O grupo MIPD Emater (leia-se "Manejo Integrado de Pragas e Doenças"), foi criado pelo técnico agrícola do Instituto, Paulo Mrtvi. Desde o início deste ano a Emater trabalha com filhos de produtores e estudantes de agronomia, que coletam tais informações sobre a safra nas unidades de referências da campanha Plante Seu Futuro ou mesmo nas propriedades da família. "Os jovens já haviam criado um grupo no WhatsApp chamado 'Agricultores do Futuro'. Resolvemos então criar esse novo grupo para atingir mais produtores nas diversas regiões que estamos fazendo a coleta de dados", relata o profissional do Emater.

Para Mrtvi, as informações coletadas em propriedades de Maravilha, região de Guairacá e Microbacia do Cafezal servem de base para o que está ocorrendo nas lavouras da região. No caso dos esporos coletados, as lâminas são enviadas para o laboratório Siga, do professor Seiji Igarashi, que faz as análises gratuitamente. Com as informações, o produtor sabe o estágio da soja, se as condições climáticas estão favoráveis ou não para a disseminação da ferrugem ou mesmo se os esporos são viáveis ou não para o surgimento da doença. "Toda segunda-feira coletamos as lâminas e entregamos no laboratório Siga. Na terça, já enviamos os resultados via WhatsApp para os produtores do grupo. Os vizinhos de quem recebe os resultados também ficam atentos. Assim, acontece uma integração maior entre os envolvidos e o senso comunitário começa a despertar novamente no meio rural", salienta Mrtvi.

O estudante de agronomia e filho de produtor de grãos de Sertanópolis, Rafael Aboriham, faz estágio no Instituto Emater. Ele acompanhou o trabalho de MIPD na unidade do Cafezal e também verifica como está a propriedade da sua família. "Sem dúvida, é possível reduzir as aplicações de defensivos agrícolas utilizando a metodologia do pano de batida e coleta de esporos. Já o WhatsApp é importante porque faz com que a informação chegue rápido ao produtor".

Outra estudante de agronomia e também filha de produtores da região de Londrina, Maria Angélica Marçola, também utilizou a técnica da batida de pano na propriedade da família e ajudou seu pai a economizar na aplicação de inseticidas. "O mais interessante é que neste tipo de estágio aprendemos muitas informações que não são passadas na universidade. Também faço parte do grupo do WhatsApp e passo para o meu pai as informações que o pessoal envia", complementa. (V.L.)

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