Se o trigo ainda pode se recuperar com as precipitações e o clima daqui pra frente, no milho, a situação é mais complexa. Dependendo do momento de quando ocorreu o plantio no Estado, os prejuízos são mais agudos. O cenário para os produtores varia bastante: alguns com perdas mais pontuais - e que inclusive pode gerar maior rentabilidade devido a preços melhores - e outros que tiveram as lavouras devastadas e chegaram a acionar o seguro rural ou, ainda, vão arcar com as perdas da safra. Na cidade de Jacarezinho, por exemplo, a previsão era de 615,6 mil toneladas, mas a colheita deve fechar em 232 mil toneladas, retração de 62%: a maior do Estado.

Sinésio de Souza plantou 45 alqueires de milho e 35 alqueires de trigo em sua propriedade no distrito de Paiquerê, região sul de Londrina, que até agora tem perdas na média de 20%. Ele explica que a seca impactou sua área de forma tão severa que há 60 dias resolveu acionar o seguro rural para o milho. Nesta semana, novo problema: com as chuvas frequentes, ele não conseguia entrar na lavoura para colher o cereal.

Um ponto de alento na situação de Souza é que o seguro dele cobre perdas no milho se a produtividade ficar abaixo de 130 sacas por alqueire. Nas contas do agricultor, a sua produtividade final para a cultura deve girar em torno de 150 sacas por alqueire. "No ano passado fechei em 280 sacas por alqueire. Em fevereiro, quando plantei, cheguei a ter erosão na área devido à chuva. Em março, o milho nasceu que foi uma beleza. Só que na hora de pendoar, a seca pegou". Para ele, o prejuízo só não foi maior devido ao trabalho de solo que fez antes da safra. "Fiz uma adubação boa e cobertura de solo que ajudou a segurar um pouco (a produtividade)", relata. No trigo também deve arcar com uma quebra de 35% da safra.

Já José Roberto Marcolino, que possui uma área de 70 alqueires no distrito de Maravilha, está um pouco mais tranquilo. Isso porque ele plantou o milho segunda safra mais cedo, entre o final de fevereiro até 8 de março. Por isso, ele acredita que sua produtividade até será boa, claro, dentro do cenário atual. "Safra passada plantei 60 alqueires de milho e tive produtividade de 230 sacas por alqueire. Acredito que neste ano vou fechar (com média) de 180 a 190 sacas por alqueire."

Produtividade que, para Marcolino, pode até trazer mais rentabilidade. Isso porque 66% dos contratos do ano passado - em torno de 8 mil sacas - ele fechou de R$ 17 a R$ 20 a saca. Só no restante ele negociou a R$ 27. "Este ano, se fizer 4 mil sacas a R$ 30 vai acabar dando mais dinheiro", projeta.

Mesmo assim ele considera que a estiagem acabou trazendo prejuízos para as outras culturas que trabalha. Ele relata que há quatro anos a seca vem atrapalhando a cultura do trigo e este ano também em sua produção de olerícolas, numa área de 15 alqueires. "Comercializo na Ceasa milho verde, abobrinha, cabotiá e outros produtos. Em três alqueires, faço irrigação, mas mesmo assim acabei ficando sem mercadoria para vender." (V.L.)

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