Produtor valoriza a pesquisa
O produtor Adão de Pauli também utiliza ensinamentos da família na propriedade de 120 alqueires no distrito de Paiquerê, ao sul de Londrina. Nos últimos 25 anos, ele cultiva soja, trigo e milho, como grande parte dos agricultores da região. Mas também adota práticas de preservação, ciente de que são necessárias para garantir boa produtividade agora e no futuro.
Ao lado do conhecimento da família, Pauli conta com importantes parceiros. Ele cita a Embrapa, que fornece tecnologias importantes para sua atividade, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que qualifica os trabalhadores. ''Os meus funcionários sempre participam dos cursos. Um deles é o que ensina a mexer com máquinas'', diz. A experiência e conhecimento deles também devem ser levados em consideração. ''É importante ouvir o funcionário, que vive e acompanha a lavoura'', ensina Pauli.
Para garantir a produtividade, o agricultor lança mão de alternativas como a adubação verde. Nabo forrageiro e aveia são os principais aliados. ''Graças a essa rotação a terra retém a umidade e na seca conseguimos manter a produtividade'', afirma. Sua produção é assegurada também com outras tecnologias geradas pela pesquisa. Segundo Pauli, no início a produtividade do milho não passava das 220 sacas, hoje chega a 400 sacas.
O produtor afirma que a agricultura não tem incentivos necessários para ter êxito. Suas críticas atingem o preço mínimo, definido pelo governo, mas nunca respeitado. ''Estão roubando a gente. A política do preço mínimo é falsa. Muitas vezes o valor definido é de R$ 24,00, mas o produtor não consegue mais que R$ 18,00'', diz.
Outro alvo de crítica são as empresas que comercializam insumos. Pauli cita o exemplo do adubo, que acompanha a cotação da moeda norte-americana. ''Agora que o dólar caiu, o adubo subiu. Acho que estamos nas mãos de pessoas inescrupulosas'', resume.
''O produtor não conhece a força que tem'', diz ao condenar a postura das cooperativas, que ''não têm a intenção de ajudar''. Para ele as cooperativas se transformaram em empresas que visam apenas o lucro e só defendem os interesses da direção. ''Existem pessoas que estão na presidência dessas entidades há 30 anos'', diz. (R.C.)





