Produtor testou para ver e crer
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sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Cristina Côrtes 
SatisfaçãoO produtor Alexandre Belançon e o agrônomo Gilberto São João analisam as boas condições das plantas depois da colheitaDepois de uma excursão a Ribeirão Claro, PR, para conhecer o plantio adensado, resolvi fazer a experiência numa pequena área da minha propriedade. Queria testar para ver se ia dar certo mesmo. Assim o produtor Alexandre Belançon, da Comunidade Água Limpa, do município de Rolândia, começou a contar como foi que ele voltou a plantar café depois de ter abandonado a cultura há mais de 20 anos.
Numa área de 4 mil metros quadrados ele plantou 4 mil mudas no sistema de superadensamento (1 metro entre linha por 1 metro entre rua), da variedade Iapar 21. O café ainda não tem três anos, e ele colheu recentemente 40 sacas de café beneficiado, produção muito superior a média do munícipio que é de 20 sacas beneficiadas por hectare (ha).Considerando que ele só plantou 40% da área de 1 ha, seu resultado foi excelente, comenta o extensionista da Emater Gilberto São João.
O produtor Alexandre Belançon está tão satisfeito que vai plantar mais 10 mil mudas até o final do ano, no seu sítio de 24 ha. Ele comenta que voltar a plantar café lhe trouxe alegria, afinal, sua família sempre cultivou café, nos bons tempos, alí naquela mesma comunidade onde está desde que nasceu.
Milton DóriaA pequena área de café superadensado produziu muito bem com apenas três anosTratamento especial Quando cultivava no sistema convencional, o máximo que conseguiam colher, no período de pico era umas 30 sacas beneficiadas por ha. O produtor diz que foi importante ele ter visto a experiência de Ribeirão Claro para tomar a decisão de voltar a cultivar café. E pensou que se lá eles conseguem uma produção tão boa, aqui ele também poderia conseguir.
O café superadensado é mais exigente em cuidados e adubação, mas como a área é pequena não fica tão difícil, comenta. O único problema neste período foi com o bicho mineiro, quando teve que fazer algumas aplicações, e da ferrugem ficou livre porque a variedade é resistente. Mas o importante mesmo para produzir, é adubar bem. Não deixar faltar alimento para a planta que está tão próxima uma da outra, destaca.
A colheita foi feita com peneira, e a qualidade foi muito boa. Ele já vendeu parte da produção a R$ 72,00 o saco em coco. Ele aguarda ainda o momento para vender o restante. Agora em outubro/novembro quando começa o período de chuvas, fará nova adubação.
O agrônomo Gilberto São João comenta que mesmo depois da colheita, as condições das plantas, apesar o bicho-mineiro, estão muito boas. Observando os brotos, galhos e folhas, percebemos que a planta não ficou esgotada, coisa que muitas vezes acontece, quando não recebe um tratamento adequado.
O teste continuaUma das características do produtor rural é ser sempre cauteloso em suas decisões e quando possível fazer o teste para depois aprovar. Alexandre Belançon ainda quer ver como vai ficar sua área depois dos cinco anos quando os pés de café estarão maiores. Lá em Ribeirão Claro, o produtor não teve problemas, mas acho que a variedade plantada não tinha tantos galhos como a minha, constata.
Caso as plantas fiquem muito grandes, provocando abafamento, o produtor terá duas alternativas, explica Gilberto São João. Retirar uma rua ou fazer o esqueletamento, que é um tipo de poda dos galhos. O melhor seria retirar uma rua, porque sempre que a gente interfere na planta, ela se ressente, explica.
Na comunidade Água Limpa, mais conhecida como comunidade Belançon, vivem atualmente 14 famílias, a maioria parentes. É uma das últimas comunidades da região de Rolândia em que todos os proprietários moram nos seus pequenos sítios. As principais atividades são porco e frango, além de laranja e agora estão recomeçando com o café.
Um dos parentes está experimentando o café adensado com espaçamento de 2 metros por 1 metro, numa área de tamanho igual ao Alexandre Belançon. Sua colheita foi de 51 sacas de café em coco, 20 sacas a menos do que a área superadensada. Colheu menos, porque o número de plantas foi menor, mas o resultado também foi bem e anima a comunidade a diversificar com mais café.
O extensionista Gilberto São João destaca que é importante os produtores participarem de excursões, cursos, treinamentos, exposições, para conhecerem novas tecnologias. É nestas oportunidades que muitos encontram soluções e novas alternativas para as suas áreas, conclui.


