No Oeste do Paraná, onde predominam pequenas e médias propriedades a renovação das máquinas não foi tão intensa como se esperava, disse o presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, Valdemar Kaiser. Segundo ele, o produtor daquela região sempre temeu o endividamento a longo prazo com medo de perder a propriedade em caso de investimento mal feito.
Kaiser disse que no passado o produtor já teve que vender sua propriedade para pagar investimentos e não quer repetir mais essa situação. Por isso, pensou duas vezes antes de renovar suas máquinas. Agora que o quadro da agricultura mudou com preço das commodities em baixa e falta de financiamento, ''ele não vai comprar mesmo'', disse.
O produtor questiona como vai pagar o investimento diante da falta de rentabilidade da soja e milho prevista para a safra que está plantando e com o preço do trator em alta, em torno de R$ 100 mil uma máquina. ''Comprar trator agora nem pensar'', afirmou.
Na falta de máquinas mais eficientes, o produtor do Oeste do Paraná está recorrendo à terceirização, um serviço que está ganhando força naquela região. O produtor que investiu na compra de uma máquina e não vai utilizá-la todo o tempo está oferecendo esse atendimento para os vizinhos em troca de 10% da produção no plantio e mais 7% na colheita.
No Norte Pioneiro, o produtor também teme a falta de condição em saldar seus compromissos. ''Com o preço da soja em queda, como vai assumir um financiamento longo de cinco ou seis anos'', questionou o engenheiro agrônomo e produtor Rubens Pimentel Pádua, de Cornélio Procópio.
Pádua prevê dificuldades de pagamento nos contratos para compras de máquinas já firmados porque eles foram feitos com base numa projeção para o preço da soja entre R$ 45 e R$ 47 a saca. O mercado está pagando entre R$ 30 e R$ 32 a saca, uma diferença expressiva, acentuou. ''O produtor não terá como saldar as parcelas do ano que vem'', avisou.
Segundo Pádua, no Norte Pioneiro o produtor investiu na compra de máquinas mais caras, para plantio direto. Também investiram na compra de tratores para atender a potência exigida pelas máquinas de plantio direto, o que elevou o endividamento.''Com a queda na margem de lucro, dificilmente o produtor vai ter condições de pagar um investimento tão alto'', disse. V.C.

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