Mandaguari - ''Hoje, o produtor de leite tem que trabalhar com tecnologia. Quem não investe, corre o risco de quebrar. O mercado atual exige muito da qualidade, mas a remuneração é baixa.'' A análise é de Alberto Knupp, um dos responsáveis pela produção na Estância Knupp, em Mandaguari (33 km a leste de Maringá).
Os Knupp são considerados produtores de médio porte. São 83 animais da raça holandesa - 34 em ordenha - e a produção é de 1,1 mil litros por dia. A propriedade é de 15 alqueires. A estância conta com quatro ordenhas mecânicas, filtros e um tanque com capacidade para 3 mil litros, onde o produto fica armazenado para coleta que é realizada a cada dois dias.
O investimento em qualidade é essencial para a garantia de mercado. Se não for atingido o nível de qualidade, o produto não é recebido pela empresa responsável pela industrialização. Se for constatada a presença de antibióticos, por exemplo, a produção vai pelo ralo. Por outro lado, o leite de melhor qualidade recebe bonificação.
O problema hoje, segundo Alberto Knupp, é que o litro de leite sai da propriedade a apenas R$ 0,51. Por isso, o produtor é quem menos fatura. O custo aumenta com a industrialização - a caixinha sai caro - e o atravessador ganha muito.
O custo de produção atual é de R$ 0,60 por litro. Resultado do aumento dos preços dos insumos, como ração, silagem de milho e caroço de algodão, provocado pela alta do dólar. A consequência, segundo Knupp, é que a produção de leite está acabando e muitos estão migrando para culturas como a soja e o milho. ''Todos os produtores que conheço queixam-se que o custo está superior à receita. A atividade leiteira é muito sofrida e o povo, muito mal remunerado. Hoje, fica mais barato não trabalhar'', lamenta.
A despeito das dificuldades, as exigências, no entanto, são grandes. O produtor tem que ter animais sadios e limpos, os equipamento tem de ser bem higienizado e o resfriamento precisa ser feito imediatamente após a ordenha, que é feita às 6 e às 18 horas. O leite chega ao tanque com 36 graus, em média, e em duas horas é resfriado a três graus. Do tanque, é colocado diretamente no caminhão.
A propriedade ainda é certificada como livre de brucelose e tuberculose. Para isso, é preciso seguir um conjunto de normas. ''Podemos dizer que assim a qualidade é garantida. A minha filosofia é que o que não serve para mim não serve para os outros'', garante Alberto Knupp.

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