É engraçado como o produtor começa a acertar em certos manejos, mas logo retrocede. A pesquisadora da Área Técnica de Solos do Iapar, Graziela Moraes de Cesare Barbosa, relata que os produtores paranaenses sofreram muito na década de 1980 com a erosão. Na década seguinte, com atuação de políticas públicas para fortalecer o terraceamento e a chegada do plantio direto a situação evoluiu bastante, mas em meados do ano 2000, piorou novamente.

Ela comenta que por volta de 2005, produtores do Rio Grande do Sul começaram a tirar "um terraço a cada dois", com a justificativa que o plantio direto era uma ótima prática conservacionista e era possível essa mudança de manejo. "A grande questão é que o plantio direto segura o solo, mas o terraço segura a água", explica ela.

Uma rotação de cultura mais bem trabalhada - que saia um pouco do sistema intenso de "soja/milho safrinha" - por muitos anos também é importante, segundo a pesquisadora. "O comum é a soja com milho safrinha, depois o produtor deixa um período em pousio, o solo fica descoberto, sem ser utilizado. A pesquisa indica que pelo menos a cada três anos deveria acontecer o plantio do milho no verão. O produtor pode fazer isso rotacionando, não precisa ser em toda a propriedade. Assim vai diversificando o sistema radicular das plantas e ajuda muito na conservação."

Outra questão levantada por Barbosa é que os produtores têm comprado máquinas cada vez maiores, eliminando os terraços para a entrada delas na lavoura. "Com menos terraços, se perde a função de segurar a água, que vai começar a escorrer e o processo erosivo voltar. Para que isso fique amenizado, os produtores usam de uma artimanha: fazem a escarificação da área, acabam com o plantio direto para que essa água infiltre no momento da safra de soja, por exemplo. O solo então vai ficar pulverizado e quando começar a chuva de verão o processo erosivo fica ainda maior." (V.L.)

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