Produtor quer selo de qualidade
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sexta-feira, 23 de maio de 1997
Luiz Taques 
Fotos: Milton DóriaValorizaçãoPreço da soja sem inseticida pode valer até 50% a mais do que a convencional, assegura o produtor Ícaro LagrottaAs regiões Norte, Centro-Oeste e Sudoeste do Paraná já estão produzindo soja sem veneno. No entanto, os agricultores não têm como comercializar ainda o produto a preço diferenciado, porque nenhum órgão oficial garante a procedência natural do produto. Precisamos que o Governo do Estado adote um selo de qualidade que seja emitido por um órgão do próprio Governo, depois da soja passar pela análise de um laboratório credenciado, reivindica Ícaro Augusto Lagrotta, de Cambé.
Ícaro Lagrotta e o cunhado Sebastião Luiz Inocente estão produzindo na Chácara São Domingos e na Fazenda Santo Antônio soja sem veneno. Os dois fazem parte de um projeto do escritório local da Emater que envolve outros 13 produtores.
À esperaNas duas propriedades, na última safra, Ícaro Lagrotta e Sebastião Inocente plantaram 160 alqueires de soja. Colheram 130 sacas por alqueire, sem usarem inseticida. A soja pode alcançar um preço entre 30% e até 50% a mais que a produzida de forma convencional, garante Ícaro Lagrotta.
Acontece que, sem um atestado oficial de laboratório, de que a soja não contém inseticida, muitos produtores estão encontrando dificuldades para vendê-la por um preço mais vantajoso. Por causa disso, alguns preferiram comercializar a safra da soja sem veneno junto com a soja cultivada com veneno. Ícaro e Sebastião optaram por armazenar o produto, à espera de mercado.
Estamos com cinco mil sacas estocadas, informa Ícaro Lagrotta. Ele diz que o Japão tem interesse em comprar 300 mil sacas de soja sem veneno. Segundo o agrônomo Alcides Bodnar, da Emater, os 15 agricultores de Cambé plantaram, nesta última safra, 4.800 hectares de soja.
Apenas seis, no entanto, deixaram de aplicar inseticidas na lavoura. Com isso, a área orgânica foi reduzida para três mil hectares. Com a soja sem química, o agricultor tem os custos de produção reduzido, o meio ambiente é menos agredido, e o agricultor consegue um produto de melhor qualidade, além de abranger mercados diferenciados, enumera o agrônomo Alcides Bodnar.
O agrônomo Alcides Bodnar, da Emater, diz que seis agricultores de Cambé colheram soja sem veneno na última safra
Alcides Bodnar explica que o custo da saca de soja, com o controle químico, fica em R$ 6,87; fazendo-se o controle biológico de pragas, o custo cai para R$ 5,90. O valor líquido recebido por saca, no caso da soja com inseticida, ficou em R$ 11,28; o valor da soja sem química esteve cotado em R$ 15,63.
Este projeto desenvolvido na microbacia é para obter excelentes resultados daqui a dez anos; estamos ainda no primeiro ano de experiência, ressalva o agrônomo. Juntos, os seis agricultores colheram 23.511 sacas de soja sem inseticida.
Levantamento feito pela Emater na microbacia da Paineirinha, em Cambé - onde o projeto está sendo desenvolvido por 15 produtores -, mostra que além dos 4.800 hectares de soja, estão sendo cultivados ali 638 hectares de milho (safrinha), 54 hectares de café, 60 de cana-de-açúcar, e estão preservados 112 ha de mata nativa.


