''Quando a gente tinha todas as respostas, eles mudaram as perguntas''. A frase do consultor Jean-Yves Carfantan reflete exatamente o desânimo do setor produtivo brasileiro, que marcou a Bienal dos Negócios da Agricultura, organizada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) na semana passada, em Cuiabá (MT). Os pesquisadores e economistas que palestraram por dois dias até tentaram assinalar respostas positivas aos produtores, mas a atmosfera era mesmo de crise.
Muito se discutiu sobre os fatores que desencadearam a atual situação da agropecuária nacional. O consenso apontou câmbio e alta taxa de juros aliados ao aumento das barreiras não tarifárias (sanitárias, técnicas e ambientais) como as mais importantes causas da queda na renda do agricultor. Problemas de infra-estrutura - principalmente de logística e armazenagem -, a falta de subsídios à atividade no Brasil e a insegurança no campo também foram ressaltados durante o evento.
Marcos Sawaya Jank, presidente do Instituto de Comércio e Negociações Internacionais (Icone), sugeriu precaução aos produtores. Planejar a comercialização e privilegiar a rentabilidade no lugar da produtividade são ações fundamentais em tempo de ''vacas magras''. ''O que adianta plantar sem lucro?'', questionou Jank.
Para o economista Paulo Rabello de Castro só um novo modelo de gestão poderá proporcionar maior poder de barganha junto aos mercados internacionais. O modelo sugerido por ele durante a Bienal é baseado no aumento da produtividade e na retração da taxa média de crescimento. ''A idéia é de que o aumento na produtividade não signifique abertura de novas áreas e sim maior preocupação e fiscalização em torno de questões ambientais'', declarou.

mockup