A obtenção do maior número possível de dados sobre o estado nutricional do solo é o caminho certo para garantir melhor produtividade e a racionalização do uso de insumos. A afirmação é do agrônomo Roberto Antunes Fioretto, professor do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Segundo ele, chegada a época de semear as culturas de inverno, o investimento na análise das condições do solo, que possibilita conhecer as necessidades de cada talhão, é fundamental para indicar os tratos necessários.
''A partir dessa prática, o produtor consegue maior produtividade, redução de custos e, consequentemente, melhoraria da renda. Não adianta fazer uma adubação pesada agora com intenção de garantir nutrientes residuais para o verão'', avisa Fioretto.
A recomendação do agrônomo é que o solo seja preparado para a cultura que vai ser plantada no momento. Esse preparo, no entanto, deve partir de um planejamento do agricultor, considerando o uso de sua área durante o ano todo.
Nesse contexto, destaca Fioretto, a opção pelos tratos culturais mais racionais e adequados depende da investigação das necessidades do solo. ''O monitoramento das condições da área é fundamental para melhorar o estado nutricional''.
Fioretto, que também é consultor da empresa Laborsolo, de Londrina, especializada em mapeamento e monitoramento da fertilidade do solo, informa que a empresa trouxe dos experimentos científicos para o mercado o ''perfil químico estratificado.''
É um tipo de análise profunda do solo. A diferença desse diagnóstico para a análise convencional é que as amostras são colhidas em três camadas subsuperficiais (de 0 a 10 cm, de 10 a 20 cm e de 20 a 40 cm), o que resulta no alcance de uma profundidade total de 40 centímetros.
Com esse tipo de coleta, é possível identificar as ofertas e carências de nutrientes no perfil do solo analisado. De acordo com o especialista, enquanto o laudo tradicional informa apenas sobre os primeiros centímetros do solo, onde estão os macronutrientes, o perfil químico estratificado revela se um determinado nutriente está ou não presente em uma ou outra camada do solo, e indica exatamente a sua localização.
Essas informações, que devem ser interpretadas por um engenheiro agrônomo, ressalta Fioretto, indicarão o manejo adequado para melhorar os aspectos físico e químico da área.
No caso do trigo, que começa a ser plantado em breve, por mais que o solo seja trabalhado, segundo Fioretto, sempre haverá algum desajuste nas condições nutricionais durante o desenvolvimento das plantas.
''Nem sempre o nutriente está disponível na hora que a planta necessita'', avisa o agrônomo. Para fazer a correção paliativa, uma opção é a análise das folhas através do sistema integrado de diagnose e recomendação (DRIS), também realizado pela Laborsolo.
A técnica é uma interpretação feita a partir da diagnose foliar em tecidos vegetais de plantas. Nas culturas anuais, são feitas normalmente, até o florescimento, de duas a três amostragens. Como a correção foliar é um ajuste de manejo, depende do equilíbrio anterior do solo, que decorre de diagnóstico e da adubação adequada no período pré-plantio.
Para o sucesso deste diagnóstico, avisa o agrônomo, é preciso que o monitoramento ocorra em intervalos regulares de 15 dias até a época do florescimento, iniciado a partir de 32 dias de idade da planta e antes da adubação nitrogenada de cobertura, para aquelas culturas que demandam essa aplicação.
Mesmo os produtores que optarem pela adubação verde, no inverno, necessitam da amostragem estratificada, recomenda o agrômomo. Plantas de cobertura, como a aveia, possuem muito potássio na palha.
Como 60% desse material é solúvel em água, a cada chuva o nutriente se deposita nas camadas superficiais do solo que, dependendo das condições, atinge altos níveis de saturação, informa Fioretto. A consequência, segundo ele, nesse caso, é a deficiência de magnésio. ''Nem a falta e nem o excesso de nutrientes favorecem a lavoura. Sem o monitoramento, até uma prática adequada como a cobertura do solo pode ser prejudicial'', exemplifica.
Fioretto alertou também que no inverno a acidez do solo deve ser corrigida para o plantio de verão. ''Quanto antes o produtor se antecipar, melhores serão os resultados tanto para a cultura de inverno, quanto para a de verão.'' Segundo o agrônomo, o monitoramento, ao longo do ano, é fundamental para controlar eventuais problemas de acidez.

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