As novas tecnologias de aplicação estão cada vez mais acessíveis ao produtor. Contudo, nem sempre elas são adotadas, segundo avalia João Miguel de Toledo Tosato, coordenador do programa Alimento Seguro da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Segundo ele, ainda falta responsabilidade por parte dos técnicos e produtores na adoção de tecnologias que visem uma produção mais sustentável.
"É um negócio que deve ser levado a sério", salienta Tosato. O especialista recomenda ao produtor consultar um agrônomo antes de ir até uma revenda comprar os insumos, para verificar se há a necessidade ou não de uma intervenção química e informar também sobre o tipo de produto que deve usar. Ele lembra que a receita agronômica deve ser seguida à risca.
Tosato afirma que, quando o agricultor é desleixado, acaba ficando nas mãos de revendas mal intencionadas. "Existem muitas revendas sérias, mas algumas só pensam em obter lucro", adverte o especialista da Adapar. Ele acrescenta que quando o defensivo é aplicado de forma não recomendada, o produtor acaba matando os inimigos naturais, o que prejudica a biodiversidade. "O produtor não pode cair na lábia do vendedor", destaca.
O coordenador do programa Alimento Seguro salienta que os produtores necessitam colocar em prática as novas tecnologias de aplicação. "Alguns seguem o treinamento, mas muitos não o fazem", completa Tosato, advertindo que a primeira penalidade para o produtor que não segue o receituário agronômico é de R$ 3.764.

Apoio
Com o programa Plante o seu Futuro, criado pelo governo do Estado, cujo objetivo é reduzir os excessos na aplicação de defensivos agrícolas, Tosato avalia que houve uma melhora muito grande no uso exagerado de agroquímicos nas lavouras paranaenses. "O uso inadequado de defensivos cria pragas resistentes, a exemplo das Helicoverpas", lamenta o especialista.
Ele denuncia que muitos agricultores, com medo de ataques de pragas ou doenças, passam o famoso "cheirinho", que nada mais é do que a aplicação extra de produto. "O produtor deve levar muito a sério a aplicação de defensivos", salienta o especialista. Além disso, Tosato pede que os agricultores não comprem defensivos contrabandeados ou pela internet, pois a maioria é falsificada. (R.M.)

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