Produtor pode usar o grão úmido
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Cláudia Barberato 
Mário CesarNo pontoAspecto do milho em ponto de colheita para silagem de grãos úmidos De acordo com o zootecnista do Centro Tecnológico da Pioneer em Londrina, Luís Antonio da Silveira Keplin, o fornecimento de silagem de grão úmido tem aumentado gradativamente em todo o Brasil, para alimentar não só bovinos de leite e de corte, mas também suínos, ovinos, caprinos e outras criações. Exceto os frangos, já que ainda existe dificuldade na mistura homogênea da ração com a silagem.
Muitas vezes o milho da ração é de qualidade inferior ao que se pode produzir na silagem. O processo da silagem de grão úmido é semelhante ao de silagem de plantas inteiras. Uma das diferenças está na época de colheita: o produtor pode usar o milho-safrinha para a silagem de grãos úmidos; desde que os grãos e espigas estejam sadios, principalmente sem fungos. Alguns pesquisadores recomendam o plantio da safrinha, principalmente para os produtores que deixarão o milho na propriedade.
Sem competiçãoO zootecnista alerta que não se pode comparar silagem de planta inteira com silagem de grão úmido. São dois tipos de alimentos diferentes. O produtor pode ter ou fazer as duas coisas na propriedade.
A silagem de planta inteira é fonte de volumoso de alta qualidade, enquanto a de grão úmido é fonte de energia de qualidade, com objetivo principal de redução no custo de concentrado e aumento no resultado final econômico do confinamento.
Para o grão úmido a colheita é feita em média de três a quatro semanas antes do normal, quando se consegue 32% a 38% de umidade nos grãos. Não há alterações na máquina para a operação; apenas devido ao grão estar mais úmido o trabalho é feito em velocidade reduzida quando comparado com a colheita de grãos secos.
Se acelerar demais a máquina no momento da colheita, o produtor poderá perder grãos que ficam grudados no sabugo, aumentando as perdas na lavoura. Há também possibilidade de aumentar a quantidade de sabugo junto com os grãos, causando redução de qualidade no produto final.
Ponto de colheitaCom tratos culturais adequados, pode-se conseguir produção de 8.300 kg/ha. Colheita e feitio da silagem de grão úmido dependem do ponto da lavoura. Outro indicativo de colheita, além de usar o verificador de umidade, é verificar a cor dos grãos, que devem estar amarelo-alaranjados, quando apresentam maior nível de proteína e energia e, consequentemente, terão melhor desempenho como alimento animal.
O grão não deverá ter mais a parte leitosa. Os grãos centrais da espiga devem apresentar a base escura (de marrom a preto). Quando se colhe milho com a umidade indicada (32% a 38%) o grão está completamente sadio, o que é um ponto positivo, só que não existem bactérias necessárias para promover a fermentação adequada do produto, o que tem representado, na maioria das vezes, insucesso no feitio da silagem de grãos úmidos por parte de alguns produtores.
Como a planta teve menor permanência no campo, não houve tempo suficiente para o desenvolvimento de bactérias responsáveis pela boa fermentação do milho. O indicado, neste caso, é o uso do inoculante durante o processo de ensilagem e, principalmente, no momento de fechar o silo um reforço com uma pulverização adicional nos cantos e na camada superficial. O objetivo será evitar perdas, promovendo fermentação rápida, reduzindo perda de energia e proteína do material.
Outros rendimentosUma das vantagens de fazer a silagem com grão úmido é que, colhendo antes, enumera o técnico, é possível liberar a área para culturas subsequentes na propriedade, como feijão, sorgo ou até a safrinha de soja.
Além disso, Keplin enumera outras vantagens para o feitio da silagem do grão úmido: não tem custos de secagem, taxas e impostos; há redução no custo de transporte para a indústria, e o retorno do milho na forma de ração para a propriedade; redução no custo de armazenamento; menores perdas devido a roedores, traças, carunchos, fungos e outros predadores; melhor digestibilidade quando comparado com o grão seco do milho; melhor desempenho e saúde animal; e o milho pode ser amarzenado por longo período, sem alteração no seu valor nutricional.
Na boca do siloO grão deverá ser moído antes de ser colocado no silo. Para alimentar suínos pede-se grão moído fino e de outros ruminantes o grão moído mais grosso. O produtor pode usar moinho tipo martelo, porém com rendimento relativamente baixo. Outra alternativa é usar uma adaptação na ensiladeira de milho, que funciona como um quebrador de grãos, com rendimento médio de 7 mil quilos por hora. No moinho martelo dificilmente se conseguem moer 2 mil quilos/hora.
A adaptação (moega) é uma caixa de madeira, que funciona como coletor, acoplada nos bicos (alinhadores da máquina) apenas com parafusos, na frente da ensiladeira.
Outra medida importante é a uniforme compactação e distribuição do material no silo. Se for silo grande, o indicado é proceder da mesma forma que se faz para silagem de plantas inteiras, fazendo uma rampa e prensando bem o material.
A compactação para o silo de grão úmido segue o mesmo processo da silagem normal, com a vantagem de que o grão não tem o efeito mola de passar o trator em cima para compactar e a massa voltar a subir.
Outra vantagem é que se consegue colocar uma média de 1.200 quilos de grão úmido por metro cúbico ou 20 sacos, quase o dobro do que se guardaria da silagem de planta inteira. Além da quantidade, a silagem de grão úmido representa também mais energia em menor espaço.
O fechamento do silo segue um processo similar a qualquer silagem, com lona preta e cuidado para expulsar todo o ar de dentro do silo; colocando peso em cima da lona e podendo iniciar o uso 10 dias depois de fechamento.


