O produtor de leite do Paraná agora é parceiro na lucratividade e no risco de sua atividade com a indústria. A afirmação é da professora Vânia Di Addario Guimarães, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), uma das uma das responsáveis pela metodologia de cálculo do preço de referência do leite divulgado pelo Conseleite (Conselho Paritário de Produtores e Indústrias do Leite no Paraná) desde o mês passado.
O setor de produção sai de um mercado de difícil negociação, passa a ter mais transparência e repasse de informações, que não existiam antes da criação do Conselho, completa a professora.
O Conseleite foi criado em outubro do ano passado e reúne representantes de produtores e indústrias, além de entidades representativas e técnicos. Esta semana o projeto foi apresentado aos produtores das principais bacias leiteiras do Estado em seminários realizados em oito cidades: Ponta Grossa, Guarapuava, Francisco Beltrão, Marecha Cândido Rondon, Umuarama, Maringá, Santa Fé e Ivaiporã.
Segundo o presidente do Conseleite, Ronei Volpi, neste primeiro momento estão envolvidos na formação e adoção do preço referência para o leite apenas produtores e indústrias, mas ele considera que no médio prazo também o setor varejista possa aderir ao projeto e isso será determinado até por uma exigência do próprio consumidor frente as distorções no preço de matéria-prima e nos derivados que são ofertados no mercado.
O que se quer neste mercado, garantem Vânia e Rolnei, é que todos tenham uma remuneração justa e que não aconteçam mais as grandes distorções do passado. O setor produtivo, de acordo com Ronei, precisava de valores de referência para melhorar a relação com a indústria que por sua vez tem a vantagem de um produtor mais fiel, constante e bem remunerado, disposto a investir em qualidade, um dos pontos chave no rendimento dentro da indústria de lácteos.
A divulgação do preço referência, segundo os técnicos, marca uma nova fase para o mercado leiteiro no Paraná. É um valor médio da matéria-prima (leite) calculado a partir dos preços de venda, das indústrias participantes do Conselho, dos seguintes derivados lácteos: leite pasteurizado, leite UHT (caixinha), leite cru resfriado, leite em pó, bebida láctea, iorgurte, creme de leite, doce de leite, requeijão, manteiga, queijo prato, queijo mussarela, queijo parmesão e queijo provolone.
O preço, explica Vânia Guimarães, pretende representar um valor justo para a remuneração da matéria-prima para os produtores rurais e para as nove indústrias que estão adotando a idéia do Conseleite.
Além dos preços médios de comercialização dos derivados pelas indústrias, o método de cálculo do preço referência considera as seguintes variáveis: mix de comercialização dos derivados, rendimento industrial do leite na fabricação de derivados e participação do custo da matéria-prima no custo total de produção dos derivados.
O custo total de produção dos derivados inclui o custo agrícola (produção do leite), o custo industrial de fabricação e o custo de comercialização dos derivados. O cálculo do preço de referência é resultado de uma metodologia semelhante ao que foi adotado pelo Consecana, que funciona há quatro anos no Paraná.
O Conselho já divulgou o preço médio do mês de janeiro e uma estimativa para os primeiros 10 dias de fevereiro. Daqui para frente a divulgação do referência será feita sempre entre os dias 12 e 18 de cada mês. Ele vai englobar sempre o valor médio das negociações feitas no mês anterior e a perspectiva de preço para as vendas nos dez primeiros dias de cada mês.
A médio prazo, considerando a dinâmica de mercado e índices inflacionários entre outros itens que podem intervir no mercado, espera-se que o produtor possa trabalhar com cotações mais estáveis para a sua produção e a indústria com um fornecimento garantido de um leite de melhor qualidade.
Um dos fatores determinantes para esta melhoria nas cotações são os ágios propostos sobre o leite de melhor qualidade, uma forma de incentivar produtores a serem mais eficientes e de garantir bom rendimento industrial ao produto.
A tendência, segundo José Roberto Canzini, outro dos coordenadores técnicos do Conseleite, é que os valores pagos ao produtor apresentem uma variação em torno de 25% do preço de referência, em uma escala que vai de - 10% a + 15%, dependendo da qualidade do leite resfriado entregue na indústria, e dos teores de gordura, proteínas, contagem de células somáticas, temperatura, entre outros.
Esse ágio nos preços a serem pagos deverá gerar novos investimentos por parte do produtor para que entregue um produto de qualidade e um incentivo para a indústria que terá melhor aproveitamento industrial recebem um produto de qualidade nas suas fábricas.

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