‘‘A estrutura do rebanho e a lotação de pastagens hoje são dois dos fatores mais importantes da produção de leite no Brasil’’. A afirmação é do pesquisador do Departamento de Ciência Animal e Pastagem, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP), Moacyr Corsi.
Corsi esteve em Londrina, na semana passada, para fazer palestra no Seminário Regional de Gestão da Pecuária Leiteira, promoção da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Senar, Sebrae, Confepar e Sindicato Rural de Londrina.
Mudanças rápidasO pesquisador da Esalq garantiu aos produtores (cerca de 200) que as mudanças a serem efetivadas no sistema de produção podem ocorrer a curto, médio e longo prazo. No curto prazo pode-se alterar a estrutura do rebanho em relação ao número de animais improdutivos e à lotação nas pastagens. É necessário fazer o descarte dos animais que não tenham futuro.
Na lotação das pastagens, por exemplo, a transformação pode ocorrer a curto prazo. Em 35 dias após o início da adubação nos pastos já é possível alterar a situação. ‘‘O produtor de leite não precisa esperar muito tempo para começar a alterar significativamente seus custos de produção e tornar mais produtiva sua atividade’’
O produtor de leite hoje, afirmou Corsi, passa por uma fase difícil, com preços abaixo do desejável para o seu produto. ‘‘A saída é aumentar a eficiência. Na situação atual é possível aumentar a produção de leite em 100 vezes. O produtor tem a oportunidade de tornar o negócio leite altamente rentável se considerar a possibilidade de aumentar a produtividade em cerca de 100%. Esse aumento vai associar a estrutura do rebanho com aumento de rotação de pastagens.’’
Pastejo rotacionadoSegundo Corsi, a produtividade de leite por hectare deve ser medida pela equação: produção x número de animais. O número de animais por hectare depende da capacidade da pastagem. A formação do pasto e o manejo das espécies forrageiras têm na adubação o fator que interfere diretamente na produção, lotação e uso do pasto.
Muitos produtores, afirmou Corsi, têm habilidade de produzir boas forragens na propriedades, ‘‘mas falta eficiência para a pastagem produzida’’. Quando não se usa o pasto direito há grande perda dessas forragens. Uma das maneiras de melhorar a eficiência é o emprego de pastoreio rotacionado, com pastejo uniforme e uso eficiente do pasto.
Em sistema de pastoreio contínuo há perda de 70% a 80% da forragem que é produzida. O produtor não percebe o fato, porque considera que perda é somente aquilo que deixa de ser consumido pelos animais. ‘‘Mas, perda representa a quantidade que a forrageira deixa de produzir por ser mal manejada ou pela falta de adubação’’.
No pastoreio rotacionado é possível permitir que a planta expresse seu potencial de produção e, além disso, reduzir perdas do próprio pastejo. Quando os dois fatores - estrutura do rebanho e lotação de pastagem - são considerados, consegue-se reduzir os níveis de perda ao redor de 20% a 30%.
Mais animais por haO nível de lotação atualmente no Brasil, em média, é de 0,5 unidade animal(UA)/hectare. Mas é possível ter de 8 a 15 UA/ha. A Esalq, por exemplo, trabalha com lotação média ao redor de 12 a 15 UA/ha. Só em unidade animal, mudando de 0,5/UA/ha para 15UA/ha representa aumento de 30 vezes na estrutura do rebanho. Para obter resultados semelhantes, é preciso usar o manejo rotacionado de pastagem que não funcionará sem a adubação das forrageiras.
No Brasil, o manejo de adubar pastos tem sido caracterizado entre os produtores como atividade onerosa. Entretanto, garantiu Corsi, nos trabalhos realizados com adubação, verifica-se que o custo da prática de adubar pastagens, é menor do que o correspondente ao preço de um litro/vaca/ha. ‘‘Cada vaca gastaria o correspondente de R$0,25 por ha e, dessa maneira, o produtor poderia obter produção acima de oito litros de leite. Ficando na média de 10 a 12 litros/vaca/dia, usando somente o pasto como alimento do rebanho.’’
Recurso econômico‘‘A adubação de pastagem deve ser recurso a ser empregado pelo produtor em vista do baixo custo da operação, mais baixo que outras tecnologias atualmente utilizadas para produção de leite’’, afirmou Corsi.
Rebanhos com média de 10 litros/dia normalmente, segundo o professor da Esalq, recebem ao redor de dois a três quilos de concentrado por vaca, com o custo de R$0,22 o quilo, totalizando custo de R$0,44 a R$0,66 por vaca/dia. ‘‘Com a adubação seria possível gastar apenas a metade. O conceito de que adubação é insumo caro deve ser reconsiderado pelo produtor, principalmente nesta época em que o preço do leite está sendo questionado. Os produtores deveriam procurar mais eficiência na produção para aumento da produtividade’’.
É preciso lembrar ao produtor, afirmou Corsi, que a adubação de pastagem não requer investimentos em termos de preparo do solo, aração, gradagem, subsolagem, entre outros. O que se tem a fazer é adubar por cobertura, sem incorporar o adubo ou calcário. Desse modo o custo da operação é reduzido e requer menor investimento.
Escolha dos produtivosNa escolha do rebanho o produtor terá que dar ênfase a vacas que tenham elevada persistência em lactação. Corsi explicou que o termo persistência em lactação significa: ‘‘para vacas que a cada mês consecutivo da lactação têm descréscimos de produção ao redor de 5% a persistência seria de 95%. Um animal que produzir 18 litros no mês de dezembro, por exmplo, em janeiro, deverá produzir ao redor de 17,1 litros’’.
Atualmente o rebanho brasileiro apresenta uma média persistência ao redor de 70%, o que provoca custo de produção elevado, queda na média de produção e redução na renda final do produtor. ‘‘Quando a persistência em lactação é baixa, aumenta o número de vacas secas no rebanho. O custo de produção sobe, já que é preciso alimentar vacas que não estão produzindo’’.
O produtor deve dar atenção especial ao número de animais que são improdutivos (que não dão leite), caso dos machos ou animais de recria, entre outros. O ‘‘produtor profissional’’ deverá ter 65% dos animais da propriedade como produtivos. ‘‘Hoje, na grande maioria dos rebanhos nacionais, esse número é praticamente igual. Somente neste item tem produtor que pode produzir pela metade de seu atual custo de produção.’’ArquivoAdministraçãoNo curto prazo pode-se alterar a estrutura do rebanho em relação ao número de animais improdutivos e à lotação nas pastagensCláudia Barberato

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