Curitiba As cooperativas e os produtores independentes poderão importar fertilizantes, para o consumo próprio, diretamente dos países produtores. A autorização foi dada através de Instrução Normativa do Ministério da Agricultura e Pecuária, já publicada no Diário Oficial. Cooperativas e produtores ficaram satisfeitos com a medida porque ela vai contribuir com a queda dos preços dos fertilizantes no mercado interno.
Após a autorização, algumas cooperativas paranaenses estão buscando informações para importar os insumos. A Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), que planeja comprar este ano 400 mil toneladas de fertilizantes para a safra de verão 2003/2004, não pretende fazer as importações diretas. O gerente de compras da cooperativa, José Varago, acredita que as empresas ainda estão em condições de oferecer um preço melhor diante do volume de produtos e formulados que importam.
Ocorre que o mercado está muito concentrado em apenas quatro grandes multinacionais, que dominam 70% do mercado brasileiro, e elas podem querer exercer o oligopólio, disse Varago. ''Se isso ocorrer e os preços não baixarem como as cooperativas esperam, certamente que a Coamo também poderá recorrer à importação'', avisou.
O gerente técnico da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Ramon Belisário, avalia que o custo do fertilizante pode cair entre 20% e 25% para o consumidor. Com a importação direta, o Ministério da Agricultura dispensa o registro de estabelecimento e de produto, que antes era obrigatório.
Segundo Belisário, a maioria dos insumos utilizados nas atividades agropecuárias é importada porque o País não produz quantidade de materia-prima suficiente para atender a demanda do mercado interno. As 1.624 cooperativas agropecuárias registradas na OCB são responsáveis por 30% da produção agropecuária do País. Com a liberação da importação direta, 865 mil cooperados serão beneficiados.
No Paraná, estima-se que 60% dos insumos consumidos no Estado passam pelas cooperativas. No ano passado, foram vendidos 3,1 milhões de toneladas de fertilizantes, entre formulados e nutrientes (15% do mercado nacional).
Para o técnico Flávio Turra, as cooperativas poderão ter mais poder de barganha junto às empresas que importam nutrientes e produzem os formulados. ''Não interessa para elas explorarem mais esse segmento e se transformarem em importadoras. Mas se isso for necessário para forçar uma baixa de preços no mercado, certamente que elas farão'', afirmou.
Segundo Turra, as cooperativas planejam a compra de insumos com antecedência, mas se os fertilizantes ficarem muito caros como está ocorrendo agora, poderão importar diretamente da Argentina e do Paraguai, onde a internalização será mais rápida, destacou.

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