Produtor pode agregar mais valor
Dalva Barbosa
De Londrina
Especial para a Folha Rural
O 8º Encontro Estadual da Cafeicultura Paranaense registrou um público recorde que ultrapassou a expectativa dos organizadores: 620 pessoas ligadas à cadeia produtiva do café,á lotaram o recinto de leilões José Garcia Molina, na última quarta-feira, dia 12, durante a 40ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.á
No Paraná o café não é apenas uma cultura. É uma paixão e paixão das boas, transmitida de pai para filho, áafirmou o Secretáário da Agricultura do Estado, Antônio Leonel Poloni, referindo-se à boa participação do público no evento. No encerramento do encontro, Poloni fez o lançamento oficial do 1º Concurso Estadual de Café Qualidade Paranáá, cujo regulamento deve ser divulgado nos próximos dias.
O concurso faz parte da campanha Café Qualidade Paranáá, desenvolvida nas regiõess produtoras do Estado. Afirmando que é necessáária maior agressividade no marketing do produto, o Secretáário disse que é preciso vender melhor o Brasil láá fora e mostrar que o café paranaense é de melhor qualidade. Poloni disse que a Secretaria estáá se empenhando com o Ministério da Agricultura num trabalho conjunto para recuperar a imagem do nosso produto no Exterior.
Após a abertura do encontro, o presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Florindo Dalberto, falou sobre Café Adensado e Estratégias de Marketing do Café Qualidade Paraáná, destacando a tecnologia empregada no sistema de plantio e as ações que têm sido desenvolvidas na campanha para melhorar a imagem do produto paranaense.
ResultadosEm seguida foram apresentados os resultados obtidos no primeiro ano da campanha, pelos técnicos Edison José Trento, da Emater; Francisco Barbosa Lima, do Decaf do Ministério da Agricultura; e Armando Androciolli, do Iapar.
Trento destacou que, no início da campanha, em 98, 36% dos produtores realizaram a colheita no pano e no ano passado esse número chegou a 47%, ultrapassando a meta que era de 46%. Outro resultado positivo da campanha foi o aumento da venda de café beneficiado, que passou de 14%, em 98, para 25% do total do café comercializado pelos produtores paranaenses em 99. As metas visam atingir 37% neste ano, 50% em 2001 e 60% de todo o café a ser colhido no Paranáá no ano de 2002.
O uso de prááticas como o beneficiamento do café pelos produtores, a organização de lotes-padrões e o conhecimento do tipo de bebida permitiu a agregação de valor ao produto, conforme demonstrou o técnico da Emater.
Com o beneficiamento da produto, os ganhos adicionais por saca de café comercializada variaram de R$7,00 a R$13,00 em 99, em relação à safra anterior. Os cafeicultores da região de Campo Mourão conseguiram a maior média de valor agregado/saca de R$13,00. Em Toledo, o valor médio agregado por saca ficou em R$12,00 e na região de Santo Antônio da Platina, R$11,00/saca.
BebidaFrancisco Barbosa Lima, do Ministério da Agricultura (Decaf), ressaltou que colher no pano não garante 100% da qualidade do café. Qualidade do café não é só bebida, lembrou. É preciso que o produtor tenha bem claro que o café deve ser colhido no pano, no estáágio cereja maduro, através de colheita seletiva, seca, uniforme e que apresente poucos defeitos.
Barbosa Lima afirmou que os bons preços do café não devem permanecer por muito tempo. Num breve futuro teremos preços menores e assim, o produtor deve estar preparado para agregar valor ao produto, preocupando-se em ganhar em todos os aspectos: tipo, menor quantidade de defeitos e bebida.
Ele lembrou ainda a importância de um controle efetivo da broca. Em 313 amostras analisadas pelos técnicos envolvidos na campanha, no ano passado apenas 31,8% apresentaram ausência de grãos brocados. No Paranáá o café brocado é um problema muito sério que compromete a qualidade. Dessas amostras 10% do total apresentaram mais de 10% de grãos brocados", frisou o técnico do Decaf.
Segundo Barbosa Lima, outro fator importante que também implica na perda da qualidade é a mistura de lotes colhidos em condições climááticas e fases diferentes.
A palestra Projeto Nacional da Promoção dos Cafés do Brasil, ministrada por Guy Carvalho, consultor do projeto Café Gourmet da Organização Internacional do Café e Associação Brasileira de Cafés Especiais, enfatizou a importância da agregagação de valor através do aperfeiçoamento do preparo do café nas etapas de colheita, secagem e beneficiamento.
Carvalho fez um panorama do mercado comprador, analisando o potencial para cafés finos e expresso nos Estados Unidos, Europa e Japão. Falou sobre a necessidade de o café brasileiro atingir esses mercados uma vez que ele tem características superiores ao café colombiano. Temos que produzir o café de qualidade excepcional, acima dos cafés finos, para atingir o alvo no mercado internacional. Precisamos corrigir a áimagem do nosso café láá fora, buscar atingir diferentes qualidades para mercados diferenciados, ressaltou.





