Termômetro da realidade agrícola brasileira, o Show Rural também sentiu os reflexos da crise. Até o encerramento, ocorrido ontem, a organização do evento esperava registrar cerca de 120 mil visitantes, uma redução de 30% em relação às 180 mil pessoas que passaram pelo centro tecnológico no ano passado.
Para Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, este não é momento de se esconder por trás da crise e sim de enfrentá-la com conhecimento e tecnologia. ''Quem produz mais e melhor irá se manter no mercado. O momento é delicado, mas ele deve ser enfrentado, pois não podemos parar'', diz.
O agricultor Laurindo Tasca, em pleno processo de colheita da safra de verão, calcula uma perda de 55% do total de milho produzido e de 25% para a soja. ''O que colhi de milho não dá para pagar o custo de produção e terei de apelar para o alongamento de dívidas, caso contrário não conseguirei mais caminhar este ano'', lamenta.
Tasca, agricultor há mais de 30 anos, acredita que os produtores estão pagando a conta do atual governo, que barateou o preço dos alimentos, elevou os juros e implementou uma política prejudicial à agricultura. ''Somos a minoria, mas eles vão sentir o reflexo na hora do voto. Foi um dos piores governos dos últimos tempos'', reclama. (M.V.)

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