Produtor não vende na esperança de preços
Com a expectativa de escassez na colheita do milho safrinha no segundo semestre, o produtor está segurando a venda da primeira safra que está sendo colhida. De acordo com o assessor da Ocepar, Flávio Turra, o produtor está priorizando a venda da soja, cujo preço está mais atraente, e está deixando o milho para vender depois quando acredita que o preço vai reagir no mercado. Na quarta-feira, estava difícil encontrar milho abaixo de R$ 20 a saca no atacado.
A produção não estaria tão apertada ao consumo não fosse o aumento das exportações de milho neste início de ano. De acordo com o Deral, só nesses três primeiros meses do ano já foram exportadas 1,670 milhão de t de milho pelo Porto de Paranaguá. A expectativa da Conab é que sejam exportadas 5 milhões de toneladas de milho este ano. ''Mas o mercado prevê um volume maior de exportações porque o mercado externo está favorável à compra do produto'', disse a técnica do Deral, Vera Zardo.
As associações de produtores de aves e suínos estão muito preocupadas com a situação. Elas estão reivindicando a formação de estoques públicos de milho para atender pequenos e médios produtores. De acordo com Ícaro Fiechter, secretário executivo do Sindiavipar, as grandes indústrias e cooperativas costumam manter seus estoques de milho para atender seus produtores integrados. ''Mas o pequeno e médio produtor ou indústria não tem a mesma condição de formar estoques e perde competitividade'', lembrou.
Fiechter calcula que os esses produtores devem consumir cerca de 6 milhões de toneladas de milho por ano e o governo deveria se preocupar em fazer estoques no mínimo equivalente a dois meses de consumo, que seria acima de 500 mil toneladas. Para os pequenos produtores, seria fundamental a disponibilidade de pelo menos 90 mil toneladas de milho por mês.
Segundo Fiechter, se o governo não se preocupar com a escalada das exportações de milho este ano estará sufocando a produção e exportação de carnes, que são produtos de maior valor agregado, para atender a demanda de matéria prima dos países desenvolvidos. (V.C.).





