PerdaO produtor Iloíbes Steim mostra a qualidade dos tomates que está jogando fora por causa do preço


A área cultivada com tomates no Paraná cresceu este ano em quase 300 ha





Marcos BorgesAs lavouras estão praticamente abandonadas, sem maiores cuidados para não gastar mais e não vender.

Produção em excesso faz o preço do tomate cair nos mercados atacadistas de Londrina e Curitiba, e muitos produtores preferem jogar fora o tomate colhido ou então deixar apodrecer no pé sem colher.
É o caso do agricultor Iloíbes Steim, que plantou um hectare e meio de tomate da variedade santa clara, no munícipio de Tamarana, próximo a Londrina. Ele já jogou mais de 70 caixas de tomate, e os frutos que ainda estão no pé não serão mais colhidos. ‘‘Só consegui vender nesta safra 4.500 caixas ao preço de R$ 4,00. Planto tomate há quase 20 anos e nunca vi preço tão baixo assim. Vou deixar de colher aproximadamente 1.500 caixas’’, reclama o produtor. O custo de produção de R$ 4,00 a caixa não viabiliza o pagamento da mão-de-obra necessária para a colheita.
Alguns meses atrás o preço da caixa de 20 kg variava entre R$ 10,00 e R$ 15,00. Animados pela rentabilidade do produto, muitos produtores aumentaram suas áreas, e outros municípios que nunca tinham plantado iniciaram na atividade.
Crescimento de áreaA área cultivada com tomate no Paraná este ano cresceu em quase 300 hectares (ha). Passou de 1.445 ha para 1.729 ha, segundo informações do engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), Nelson Eitsi Kanda.
A produção prevista para esta safra em todo o Estado é de um intervalo entre 67.600 e 74.000 toneladas. No no ano passado foram colhidas 60.300 toneladas. O grosso da colheita nas principais regiões produtoras deve acontecer ainda no decorrer deste mês de janeiro e fevereiro. ‘‘Até agora apenas 20% da produção total foram colhidos’’, informou o agrônomo.
A região de Curitiba é a que mais produz, com 550 ha plantados; depois vem Jacarezinho, com 299 ha e Apucarana com 220ha. A região de Londrina plantou este ano 180 ha. Os municípios que estão produzindo pela primeira vez são Cândido de Abreu, São Jerônimo da Serra e Santa Cecília do Pavão, entre outros.
Pós-colheitaSegundo Nelson, o produtor de hortifrutigranjeiros não tem à sua disposição informações específicas sobre como colocar sua produção no mercado, como acontece com a produção de cereais. ‘‘Mesmo as cotações que saem publicadas em jornais analisam de forma generalizada e o produtor fica sem saber a quem recorrer quando enfrenta um problema como este’’, comenta.
Outro aspecto lembrado pelo agrônomo é que o Paraná ainda não dispõe de estrutura para industrializar seja o tomate ou outros tipo de frutas, e quando há excesso de produção o horticultor depende de transportar seu produto para outros locais, o que acaba encarecendo e não compensando. Os produtores preferem plantar em áreas próximas dos grande centros de comercialização e consumo, como Londrina e Curitiba.
Um produtor de Cambé, que não quis se identificar, procurou o escritório da Emater, desolado com as dificuldades de comercialização do tomate, e queria uma orientação sobre o que fazer. O tomate tem que ser comercializado na hora certa, não podendo ser armazenado. Ele também ia deixar boa parte de sua produção apodrecer no pé. ‘‘A gente se mete numa atividade nova e é isso que dá; acho que vou mesmo é voltar para o plantio de café, que pelo menos eu conheço o mercado’’, desabafou.
‘‘Teia-de-Aranha’’Nelson Kanda analisa também que a maioria dos hortifrutigranjeiros sofrem este efeito chamado ‘‘teia-de-aranha’’: o preço está bom, todos plantam, aí o preço cai; na próxima safra ninguém planta, e o preço sobre novamente.
Tradicionalmente, janeiro e fevereiro são meses de queda de preços de hortaliças em geral, porque as maiores áreas são semeadas em setembro e outubro, período mais favorável ao seu desenvolvimento. ‘‘A produção no verão é bastante prejudicada pela alta incidência de pragas e doenças’’, diz Nelson.
Segundo o síndico do condomínio do Mercadão do Jardim Ideal, de Londrina, o maior centro atacadista da região, Orides Arantes, a oferta de tomate este ano realmente está muito superior ao ano passado. ‘‘Estamos comercializando em média 6 mil caixas por dia ao preço médio de R$ 4,00 a R$ 5,00 a caixa do tomate de primeira e entre R$ 3,00 e R$ 4,00 e o produto de segunda’’, informou.
Os atacadistas abastecem não só o mercado de Londrina, mas também mandam tomate para São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Orides comentou que o grupo que participa do ‘‘Mercadão’’, está começando a discutir a possibilidade de implantar uma estrutura para industrialização da produção excedente de tomate.

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