Produtor já escolheu variedades
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sexta-feira, 05 de setembro de 1997
Cristina Côrtes 
Milton DóriaPesquisaNovas variedades oferecem mais opções para os produtores, diz o pesquisador Antonio Eduardo PípoloA variedade de soja mais plantada no Brasil e no Paraná é a BR-16, desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Soja (CNPSo-Embrapa), que começou a ganhar a preferência do produtor na safra 89/90 por ser produtiva e ter uma boa resistência ao cancro-da-haste. De acordo com dados da Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar), o volume de sementes fiscalizadas desta variedade disponível este ano era de quase 900 mil sacas.
Para quem optou por esta variedade, os pesquisadores da Embrapa alertam para a possibilidade de ocorrência de oídio e outras doenças de final de ciclo, como Cercospora kikuchii (crestamento foliar) ou Septoria glycines (mancha parda). Segundo o pesquisador da Área de Difusão e Tecnologia da Embrapa-Soja, Antonio Eduardo Pípolo, essas doenças ocorreram na safra passada em função do excesso de chuvas, e acabaram prejudicando a produtividade de muitas lavouras.
Com base nestes problemas, na última reunião técnica de pesquisadores de todo o Brasil foi incluída entre as recomendações a aplicação de fungicida na soja. Faz muito tempo que não acontece este tipo de recomendação. A aplicação de qualquer veneno só deve ser feita de maneira muito criteriosa, quando o problema estiver ocorrendo, destaca Pípolo. Além da BR-16, as variedades de soja que deverão ser mais utilizadas na próxima safra serão Ocepar-14, BR-37, FT-ABYARA, Ocepar -13, BR-36 e Embrapa-48.
Novas variedadesDepois de passar mais de três anos (de 93 a 95) sem lançar novas variedades, a Embrapa-Soja lançou cinco no ano passado, e neste ano mais cinco estão sendo lançadas. Do lançamento até a semente estar disponível para o produtor leva-se um prazo de mais ou menos um ano a um ano e meio.
A pesquisa na área de melhoramento está sempre buscando diversificar as opções para os produtores e atender as diferentes necessidades de cada nicho ecológico, com seus microclimas específicos. Desenvolvemos variedades de diferentes ciclos, o que possibilitou, por exemplo, a introdução da soja no Cerrado, além da preocupação com a resistências a doenças, e melhores produtividades, explica Pípolo.
Dependendo do tamanho da área a ser plantada, um mesmo produtor escolhe materiais de ciclos diferentes, para ter um escalonamento no plantio e também na colheita, facilitando o trabalho, a utilização de máquinas e mão-de-obra.
As variedades recomendadas no ano passado para o Paraná - Embrapa 58, 59, 60, 61 e 62 - já estão nas mãos dos produtores de sementes e devem estar disponíveis para os sojicultores na safra do ano que vem. Neste ano acabam de ser lançadas as cultivares Embrapa-132, 133, 134, 135, e 136 para o Paraná.
NovidadesPara o Mato Grosso do Sul foram lançadas três novas variedades lambari, de ciclo precoce/médio, mandi, semitardio e surubi, tardio; para o Mato Grosso uma cultivar uirapuru de ciclo semitardio e tardio; para Minas Gerais, renascença de ciclo médio; confiança, semiprecoce e segurança, semitardio; para Goiás, as variedades celeste, de ciclo tardio; carla, médio e BR/IAC 21, de ciclo médio; e para o Maranhão, duas cultivares parnaíba e sambaiba
A maior novidade entre estes lançamentos é a cultivar renascença que é a primeira no Brasil a ter resistência à raça 3 do nematóide de cisto. Tendo em vista que lá o problema com nematóide é maior, a pesquisa lançou primeiro uma variedade adaptada para aquela região, mas em breve teremos materiais resistentes para outras regiões também, diz Pípolo.
Para que ocorra uma adoção mais rápida dessas novas cultivares, a Embrapa está desenvolvendo uma estratégia de difusão capaz de motivar a assistência técnica, a extensão rural e os produtores.
A Embrapa mantém uma parceria com 16 produtores de sementes, que recebem as novas coleções para reproduzirem no campo com orientação e acompanhamento dos pesquisadores. Depois de instalados, esses campos-pilotos se transformam em Unidades Demonstrativas que são utilizadas em dias-de-campos, onde os produtores podem avaliar o desenvolvimento dos novos materiais.
O objetivo é validar, regionalmente, os resultados e recomendações da pesquisa e ampliar a participação das cultivares desenvolvidas na Embrapa-Soja no total de sementes comercializadas no Paraná, diz Pípolo. Até 89/90 as variedades da Embrapa ocupavam apenas 3% da área de soja cultivada no Estado, na última safra (96/97) esta participação cresceu para 65%, e a tendência é crescer ainda mais, avalia o pesquisador.


