O excedente de 65 mil toneladas de carne suína atualmente no mercado acaba interferindo na atividade dos produtores independentes - aqueles que não produzem para as grandes indústrias de processamento de carne e derivados. A produção do norte do Paraná é insuficiente para atender a demanda, mas o excedente da carne colocada nos mercados do Paraná e sul de São Paulo provocou queda dos preços.
Os produtores Seiiji e Carlos Kamiguchi, de Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana) têm recebido apenas R$ 1,80 por quilo de animal vivo, abaixo do custo de produção, que é R$ 2,10 o quilo. Os Kamiguchi estão há 30 anos na atividade. Eles vendem mensalmente 360 cabeças de suínos aos frigoríficos de Mauá da Serra, Faxinal, Califórnia e Marilândia do Sul.
Segundo José Luiz Vicente da Silva, presidente da Regional Norte da Associação Paranaense de Suinocultores e diretor de Suínos e Melhoramento Genético da Sociedade Rural do Paraná, no norte do estado - região compreendida num raio de 150 quilômetros de Londrina - estão instalados 800 suinocultores, cuja produção resulta no abate de 2.500 animais/dia. Vicente calcula que nas granjas existam em média 35 mil matrizes em produção.
O suinocultor afirma que os problemas não se limitam ao atual excedente do produto. Vicente faz severas críticas à política de crédito do setor. ''O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) disponibiliza recursos a juros baixos às indústrias de processamento de suínos, mas os produtores independentes não têm acesso a esses benefícios'', diz.
O presidente da Regional Norte da APS relembra que embora não participem da produção integrada com as indústrias, os suinocultores independentes possuem um alto nível de especialização e profissionalismo. ''Quem não é eficiente não consegue se manter no setor. Por isso cobramos respeito para que tenhamos uma atividade lucrativa'', diz. (R.C.)

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