Produtor guarda o veneno desde 1972
Sem cerimônia e do mesmo jeito que fazia quando usava o pó branco no cafezal da família, o cafeicultor de Rolândia, Henrique Frager, 67 anos, manipula com as mãos nuas o BHC estocado desde 1972 numa tulha junto com outros agrotóxicos e ferramentas. Quando o uso foi proibido, cerca de 1,6 mil kg do produto ficaram sem uso, e sem destino.
Com um carregado sotaque alemão herdado do pai, August, Frager brinca que foi concebido embaixo de um pé de café e fala que a lida na terra que pertence a família desde 1933 começou ainda criança. E o BHC sempre esteve presente. A gente começou a usar em 1959 e foi até 1986, afirma. Durante as aplicações, ele diz que não havia nenhum cuidado especial: naquele tempo se usava só um lenço para proteger a boca e o nariz.
Veio a proibição e Frager reclama que, desde então, já perdeu as contas de quantos formulários preencheu por causa do estoque de BHC que possui e quantos técnicos já recebeu em casa por conta disso. Faz uns 15 anos que chegaram os primeiros técnicos dizendo que iam dar um fim nisso e até hoje não aconteceu nada, critica.
Legenda da cafeicultura paranaense, o procopense Wilson Baggio, 83, confirma que o BHC foi o produto mais usado contra a broca. Ele comenta ter usado outras técnicas mas nenhuma era tão eficiente quanto o veneno. Ele matava mesmo porque pegava o inseto que ainda não tinha entrado no fruto.
O representante da Emater em Rolândia, Gilberto São João, estima que a falta de solução acabou fazendo com que alguns agricultores dessem um fim ao produto por conta própria: Sabemos de casos em que o produtor jogou no café para se ver livre. (L.A.)





