Produtor fica no prejuízo
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004
Reportagem Local 
Grandes colheitas, atividade comercial intensa, aumento das exportações. Mas a prosperidade do agronegócio não beneficia seu principal propulsor, o produtor rural, aquele que está na ponta da cadeia e é o seu elo mais importante, porém o mais fraco. Ou, pelo menos, não beneficia na justa proporção, em partilha igual aos demais segmentos. A soja é exceção. Agricultura, porém, movimenta as indústrias de insumos e máquinas agrícolas; as indústrias de transformação e de derivados. E garante vida nas cidades do interior, oferecendo trabalho imenso contingente de mão-de-obra.
No entanto, contrastando com o recorde de produção de 123 milhões de toneladas, ano passado, a agropecuária brasileira não apresentou balanço favorável em relação aos preços, segundo conclusão de estudo da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Milho, leite, café, pecuária de corte, suinocultura e avicultura enfrentaram dificuldades de comercialização em decorrência do excesso de oferta e queda de preços.
Milho - Produtores de milho do Paraná, principal produtor nacional, colheram 14,4 milhões de t. O preço médio foi de R$ 15,57/saca de 60 kg. Os preços no primeiro semestre foram de R$ 17,37/saca e passaram para R$ 14,09/saca no segundo semestre, com a menor cotação acontecendo em julho: R$ 12,92/saca.
Leite - Os produtores de leite também enfrentaram sérias dificuldades por causa de cotações que mal cobriram os custos. Ou nem conseguiram isto. Sem contar o vendaval que lhes castigou na esteira do escândalo e quebra da Parmalat.
Pecuária de corte - Pressionada pela rápida e indispensável modernização, a pecuária de corte teve que se equilibrar perigosamente por conta de altas nos custos de produção muito superiores aos aumentos no preço da arroba do boi gordo. Baixo consumo agravou a rentabilidade do segmento. A arroba do boi gordo deveria ter sido vendida por preço médio de R$ 64,00.
Suinocultura, avicultores e cafeicultores - Para variar, os suinocultores tiveram que superar as crises no setor, ocorrendo o mesmo com avicultores e produtores de café. Nestes três segmentos produtivos, uma realidade: perda de renda.
Trigo - Os triticultores, no mesmo barco das baixas cotações (média de R$ 27,24/saca de 60 kg, cerca de 8% inferior aos preços praticados na safra 2001/02) estão desanimados e pensam duas vezes antes de atender aos apelos governamentais para expansão da área cultivada neste ano.


