Produtor evita crise com ajustes
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sábado, 26 de janeiro de 2002
Cláudia BarberatoReportagem Local 
Apucarana- A adoção de um gerenciamento ajustado à nova realidade de mercado fez com que o produtor Crésio Romanhol, de Apucarana, no Norte do Paraná, enfrentasse a crise que abateu o setor leiteiro em todo o País nos últimos anos sem precisar entrar no vermelho ou desistir da atividade, como aconteceu com muitos produtores.
Ele garante que não fez nenhuma mágica mas pôde se manter na atividade devido a administração empresarial que vem adotando para a atividade nos últimos anos, para escapar de vários momentos de crise no leite. Eu me programei e fiz apenas os investimentos necessários.
Importações e achatamento A crise no setor é antiga e se agravou nos anos 90 com as importações de leite que derrubaram o preço pago aos produtores no mercado interno.
A situação ficou pior no ano passado durante a entressafra, período em que se espera por melhores preços, quando as indústrias reduziram cotações pagas ao produtor sob alegação de que havia grandes estoques e baixa no consumo do leite no País.
Com a globalização, segundo Romanhol, não se pode mais sonhar com altas margens de lucro, mas no caso do leite é preciso melhorar o preço pago ao produtor. O país, segundo ele, tem potencial para exportar o produto e hoje a situação da maioria dos produtores é crítica, com muita gente liquidando plantéis e abandonando a atividade.
Com um pequeno aumento nas margens de lucratividade do leite, segundo Romanhol, seria possível que o produtor fizesse investimentos e melhorasse sua situação. O leite, segundo ele, é hoje o de menor margem de lucro entre todas as atividades agrícolas. Qualquer aplicação no mercado financeiro dá mais de 1,25% ao mês. É esse o percentual que Romanhol tem obtido na atividade. Romanhol acredita que o ideal seria obter uma margem superior a 2% para que o produtor pudesse se manter e ainda fazer investimentos na atividade. Hoje o rebanho de Romanhol tem potencial para produzir mais (24 litros/dia em média), mas produz cerca de 17 litros/dia porque não há condições de investir no aumento da produção.
Segundo cálculos do produtor, para aproveitar potencial das vacas em lactação e produzir mais ele teria um custo de R$ 0,32, valor que obtém pelo litro entregue na cooperativa. Daí ficaria empatado ou no prejuízo. Por isso prefere ficar com uma lucrativade menor (1,25%) do que aumentar a produção e, consequentemente, custos.


