Preço mínimo, compra de excedente da produção, incentivo à exportação e redução na importação são alguns dos ítens que estão sendo apontados como solução para a crise do setor leiteiro no Paraná.
Até agora os relatos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Alimentos do Paraná, que investiga a cadeia produtiva do leite, indicaram o produtor de leite como o único perdedor nas relações da cadeia produtiva. A informação é do veterinário Osmar Buzinhani, designado pela Secretaria de Agricultura para acampanhar as audiências públicas e coordenador do Programa de Qualidade do Leite do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa).
Depois de reunir mais de 60 depoimentos em várias regiões do Paraná, A CPI deve iniciar a redação do documento final dos trabalhos. As conclusões serão enviadas à Comissão de Agricultura da Câmara Federal e serão anexadas a outras conclusões de outros Estados produtores no País, formando um documento único com propostas para um programa nacional para o setor leiteiro.
Situação crítica De acordo com Buzinhani a situação da pecuária leiteira está crítica em várias regiões do País. Além do Paraná diversos estados brasileiros como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Alagoas estão realizando suas CPIs para solucionar os problemas do setor leiteiro. Nessas regiões, mesmo aquele produtor que está produzindo em escala não consegue equilibrar custos de produção e remuneração.
Os problemas começam no preço pago ao produtor que não cobre o custo médio da produção do litro. No ano passado o preço chegou a cair em 30% no segundo semestre o que tem provocado até hoje um grande efeito negativo sobre a atividade. No Paraná o reflexo tem sido a venda de plantéis. ‘‘Quem ainda não vendeu está esperando o resultado da CPI para ver o que faz.’’ Segundo Buzinhani a região de Londrina é líder nesse aspecto e em Maringá quase 30% dos produtores estão vendendo ou venderiam seus rebanhos.
No Paraná o custo médio de produção do litro de leite hoje fica entre R$ 0,22 a R$ 0,35. Laticínios, cooperativas, grandes indústrias e multinacionais, não remuneram mais do que R$ 0,21 o litro. Os dados são da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). De acordo com técnicos da Faep, descontados impostos e despesas a renda por litro do produtor acaba ficando entre R$ 0,18 a R$ 0,11.
Preço mínimo Uma das soluções que deverão ser apontadas é a formação de um preço mínimo para o leite para garantir a cobertura dos custos de produção. Em cada um desses Estados onde estão sendo realizadas as CPIs deverão ser formados preços mínimos ou de referência. Há também possibilidade de fazer preços regionalizados que serviriam como uma referência nacional.
A implantação de um preço mínimo, segundo Osmar Buzinhani, deveria estar acompanhada de uma política voltada também para os excedentes de produção e a exportação, com apoio do Governo, semelhante ao que é feito em outros países: ‘‘Na Europa o governo exporta subsidiando para equilibrar o mercado interno.’’
É preciso também, na opinião de Buzinhani, legislar sobre a concentração da indústria e do varejo, do abuso de poder, e a implantação de uma política industrial para todo o segmento em conjunto. O presidente da CPI do Paraná, Orlando Pessuti, já declarou que é ‘‘brutal a transferência de rendas do produtor de leite para os laticínios, fabricantes de insumos e medicamentos veterinários, de embalagens - especialmente para o leite longa vida. Ganham muito, também, os supermercados e a indústria de derivados do leite.’’

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