A empresa paranaense de exportação Terra Preservada, que só trabalha com produtos orgânicos, está há quatro anos no mercado e, só no caso da soja, registrou um salto no volume de vendas de 200 toneladas no primeiro ano para 2,3 mil toneladas em 97. Para o ano que vem, a perspectiva é de exportar 6 mil toneladas, principalmente para a Europa.
De acordo com Rogério Konzen, proprietário da exportadora, os 364 produtores paranaenses que negociaram seu produto com a empresa na safra 96/97 receberam, em média, 30% a mais no preço, em relação à soja produzida no sistema convencional. Ele informa que o interesse dos agricultores tem crescido, e para a safra 97/98, mais de 500 sojicultores deverão plantar dentro das normas de produção orgânica, visando o mercado exterior.
A empresa, sediada em Curitiba, trabalha no sistema de parceria com os produtores. ‘‘Nós contratamos a produção e damos toda a assistência técnica necessária. Em troca o agricultor assume formalmente as responsabilidades em relação às normas de cultivo’’, informa Konzen, lembrando que a exportadora mantém uma equipe técnica para prestar consultoria. De acordo com o contrato assinado entre as partes, a empresa também se compromete a arcar com os custos da certificação do produto, uma exigência para a exportação.
Segundo Rogério Konzen, atualmente só o Instituto Biodinâmico, de Botucatu (SP), está autorizado a emitir os certificados para os produtos orgânicos, no Brasil. Técnicos do Instituto, baseados nas normas da Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), fazem visitas esporádicas à propriedade e acompanham todos os dados referentes ao seu histórico. O selo de qualidade só é fornecido a partir do segundo ano de produção orgânica da mesma cultura, a não ser que a área cultivada tenha ficado pelo menos dois anos sem receber produtos químicos. (S. L.)

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