O professor Angelo Spoladore, do departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que o aumento da temperatura afeta diretamente a qualidade do solo, já que o calor acelera o processo de decomposição da matéria orgânica. Ele explica que no Paraná, por exemplo, já há áreas limitadas para plantio porque a terra não é mais fértil. "Esse fator – temperatura - reduz a funcionalidade do solo", observa o especialista.
Segundo ele, deve haver uma maior preocupação no uso do solo. Spoladore salienta que técnicas como a utilização do sistema de plantio direto, que retém um volume expressivo de matéria orgânica na terra, são uma das soluções. O que o professor tem percebido nos últimos anos é que muitos produtores não estão fazendo o seu devido dever de casa, ou seja, muitas propriedades não possuem terraços, curvas de nível e muito menos uma boa qualidade de plantio direto. "Sem os terraços, por exemplo, a erosão acaba por levar a terra fértil embora", lamenta.
Pedro Vendrame, professor do curso de agronomia da UEL, destaca que o ser humano pode adotar sistemas de produção que não causam danos topográficos. Um dos fenômenos geológicos que tem preocupado os pesquisadores seria a vossoroca, que nada mais é do que uma escavação profunda, originada por uma forte erosão. De acordo com Vendrame, nos primeiros 50 centímetros é onde se encontra a parte mais rica do solo. Por isso, acrescenta ele, o produtor deve adotar as boas práticas de conservação da terra.

Futuro
Para fomentar a adoção de uma agricultura mais sustentável, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) criou recentemente o programa "Plante o seu Futuro". A campanha visa sensibilizar os produtores e técnicos rurais para que adotem técnicas sustentáveis de produção, a exemplo do bom uso do sistema de plantio direto.
Além disso, serão trabalhados junto aos produtores técnicas de conservação de solo e água, redução na aplicação de agrotóxico, manejo de pragas e doenças, entre outros. A campanha conta com a parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), entre outras empresas e entidades. (R.M.)

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