Tratamento dos bezerros começa com o fornecimento do colostro e depois o aleitamento diário

Programar vacinações, estação de monta e nascimentos, entre outras atividades, permite agilizar a produção e, consequemente, aumentar a produtividade de qualquer rebanho. A base de toda a criação de bovinos está na sanidade dos animais, seguida de alimentação, instalação, manejo e genética. Mas nenhum dos itens funciona sem o outro.
Conseguir bons resultados depende de organizar bem uma agenda de serviços dentro da propriedade, não deixando para trás medidas como controle de parasitas, limpeza de pastos, boa cura do umbigo dos bezerros, colostro para recém-nascidos e outros trabalhos.
ServiçosÉ ideal que o produtor faça um calendário de atividades, aconselha o veterinário Arildo Padilha, da Lida de Campo, empresa de Londrina especializada em assistência técnica na produção de leite e carne. Padilha recomenda ainda que o criador esteja ‘‘aberto’’ para modificar o ritmo de trabalho de acordo com o alerta do técnico.
No caso de situações novas, como aparecimento de doenças, muitos produtores saem vacinando seus rebanhos e se esquecem do manejo de problemas antigos. Em outros casos, segundo Padilha, quando a assistência técnica leva a necessidade de colocar vacinas diferentes no manejo, encontra resistência. O maior grau de dificuldade é convencer o produtor de que o problema pode aparecer na sua propriedade e não só na propriedade do seu vizinho.

Arquivo FolhaNa telaPadilha garante que um software auxilia e facilita a programação de tarefas dentro da propriedade

VacinaçõesUma das novidades a serem incluídas no manejo sanitário das propriedades, alerta o veterinário, é o exame de amostragem no rebanho para detectar a presença de IBR (Rinotraqueíte Infecciosa Bovina), uma doença que pode trazer sérios prejuízos. ‘‘A doença tem alta incidência e a sua identificação ainda não está no manejo das fazendas.’’
Outro técnico da Lida de Campo, o veterinário Idalino Sgobero Filho, recomenda fazer coleta de sangue em 10% dos animais quando a suspeita de brucelose (o aborto é um sinal) já foi descartada. O manejo não tem época mais adequada para ser feito. Mas deve ser adotado a partir da incidência de problemas na propriedade. A sugestão é fazer uma amostragem agora e outra em julho, por exemplo.
Junto com a vacina contra IBR o produtor poderá associar a vacinação de combate à leptospirose. O recomendado é vacinar todos os animais identificados previamente como portadores da doença, com idade acima dos quatro meses de idade.
Depois da primeira dose o produtor pode esperar cerca de 21 a 28 dias para a dose de reforço e, a seguir, vacinar semestralmente os animais acima dos quatro meses de idade. Para casos de leptospirose positiva é ideal procurar um veterinário para tratar dos animais.
ConsciênciaA vacinação contra febre aftosa por exigência legal deve ser feita em abril e outubro. ‘‘O produtor deve não só comprar o produto, mas também aplicá-lo nos animais. É preciso consciência de que a doença deve ser erradicada, para o Estado ser liberado para exportação de carne’’, recomenda Padilha.
Outra medida de calendário sanitário nas propriedades é vacinar animais contra carbúnculo; fazendo pelo menos duas doses aos quatro e oito meses de idade. O produtor poderia começar as vacinações em janeiro e fazer o serviço com intervalo de dois meses até o final do ano, vacinando os animais abaixo dos 18 meses de vida.
O esquema de vacinação contra brucelose deve atingir todas as fêmeas entre os três e oito meses de idade. Os exames para identificar animais positivos para brucelose devem ser feitos pelo menos uma vez por ano para os rebanhos de maneira geral. No caso dos animais de produção de leite tipo A ou B o exame deverá ser semestral. O mesmo manejo vale para tuberculose: nos rebanhos ‘‘europeus’’ uma vez ao ano e os mais especializados, para produção de leite tipos A e B, de seis em seis meses.
VermifugaçãoA aplicação de vermífugos vai depender da idade dos animais. Para os adultos deverá ser feita pelo menos duas vezes ao ano, na entrada das águas e na entrada da seca. O ideal é fazer mais uma aplicação entre estes dois períodos.
Em animais jovens, até os 12 meses de idade, mesmo que cada propriedade tenha seu esquema próprio de desmama, a recomendação é fazer, até o desmame, vermifugação a cada dois meses, mas o serviço mensal seria ideal. No caso de gado puro os técnicos já aconselham esta aplicação de vermífugos mensalmente para os animais jovens e depois da desmama, até os 12 meses de idade, uma aplicação a cada 90 dias.
O tratamento contra parasitas, como o carrapato e a mosca-do-chifre, deve ser feito conforme o nível de infestação. Limpar também os pastos, para evitar bernes, é aconselhável.
Estação de montaOutro ponto básico no manejo das propriedades é programar a estação de monta, cruzamentos, inseminações e nascimentos. O ideal é que os nascimentos ocorram a partir de agosto, setembro e outubro. Para tanto, a estação de monta deve acontecer a partir de novembro.
Para o gado de leite a estação de monta deve ser programada de maneira que a produção das vacas sirva para atender as médias de leite no inverno, as chamadas cotas na cooperativa. O produtor não pode se esquecer da produção do resto do ano, e de programar os partos para manutenção da produção da propriedade.
O conselho é que a programação comece pelas novilhas. No gado de corte a estação deve entrar como medida de manejo, para adequar nascimentos à época do ano quando existe maior oferta de alimentos; com coberturas em novembro, dezembro e janeiro, evitando partos na seca, quando há pouca oferta de alimentos no campo.
Produção de alimentosA preparação de silagem de milho começa agora, para quem plantou mais cedo. ‘‘É mais prático, requer menos estrutura; ainda é o clássico que resolve.’’ A silagem de sorgo tem uma pequena margem de risco, tanto na preparação quanto no uso. Já para a silagem de capins é necessária tecnologia de produção, mas o técnico acredita que, por causa de custos, é o melhor caminho a curto prazo.
A fenação, opção conhecida dos produtores, requer investimento maior e equipamento. ‘‘A maioria dos produtores que tem gado especializado já fenação, porque não tem outra opção no inverno’’. É importante lembrar, segundo Padilha, que as capineiras, como a cana-de-açúcar cortada e fornecida no cocho, são uma boa alternativa para o gado de campo e para as vacas mestiças de leite, durante o inverno.
A tecnologia de produção de alfafa também mudou bastante e existem algumas novidades que permitem pensar na sua produção, na forma de silagem e feno, para o gado especializado.
A mineralização do rebanho é feita o ano todo. Padilha afirma que, embora exista um sal mineral adequado para cada região, o sal deverá ser fornecido de acordo com a qualidade do volumoso que será servido ao gado.


No computador
Para facilitar o trabalho e evitar esquecimentos, além de colaborar na organização de serviços dentro da propriedade, a Lida de Campo desenvolveu um software sobre Sistema de Manejo Pecuário. O trabalho é resultado de cinco anos de anotações, feitas pelos técnicos da empresa. Antes as anotações eram feitas em fichas de papel. Com base na experiência do manejo adequado a ser feito dentro de uma propriedade, o programa traz agenda de serviços para programação de proprietários, administradores e veterinários nas fazendas.
A experiência dos veterinários uniu-se à do técnico em Informática, Ademir Morgenstern Padilha, para elaborar o programa, primeiro em DOS, com idéia de atender somente a empresa, e agora em Windows, possibilitando expandir seu uso para outros técnicos, consultores e interessados. Do programa constam, além de agenda de serviços, informações diferenciadas sobre os animais, ficha técnica, cadastro e outras. Traz também análise em gráficos da situação de produção da fazenda. O software será comercializado, mas ainda não está definido seu preço.(C.B.)

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