Um levantamento realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)apontou que os custos de produção da safra atual subiram para os cinco principais produtos agrícolas: algodão (19%), arroz (14%), milho (15%), soja (17%) e trigo (10%). Aumento este que, segundo os fornecedores de máquinas e insumos agrícolas, é resultado da valorização do dólar frente ao real no ano passado.
Números recentes divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam perdas de mais de R$ 5 bilhões na safra de soja 2004/05 em decorrência da redução de cerca de 8 milhões de toneladas na produção da oleaginosa, ocasionada pela seca rigorosa que atingiu principalmente os Estados do Sul e Centro do País.
O dólar também se mostrou um entrave para a agricultura este ano. Os produtores argumentam que plantaram a safra quando o dólar valia mais de R$ 3,00 e agora, quando precisam vender sua produção, a cotação é muito inferior. ‘‘O agronegócio é cíclico e se apresenta sempre em picos de alta e baixa. O preço praticado pelo mercado hoje não chega aos patamares de 2004, mas a tendência é de estabilidade a médio prazo. O que o produtor precisa é manter o pé no chão e continuar trabalhando’’, sugere o agropecuarista londrinense Milton Casaroli.
Para tentar amenizar a crise do setor, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, quer incrementar o pacote de ajuda aos produtores com a liberação de mais R$ 1 bilhão além do R$ 3 bilhões já anunciados. Outra medida é propor ao governo a adoção de políticas comerciais e tributárias que evitem a forte concorrência de produtos do Mercosul.
Segundo Casaroli, o governo também deveria liberar linhas de crédito que auxiliassem a comercialização da produção rural e criar um seguro agrícola que indenizasse os produtores em caso de perdas com intempéries. (M.G.)

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