Produtor despreparado perde mais
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sexta-feira, 23 de maio de 1997
Jota Oliveira 
Arquivo FRSem chuva o capim seca, o gado emagrece e o pecuarista tem prejuízo. Foto: animais no capim seco em pastagem no Cerrado de Mato Grosso do SulAs pastagens, formadas em sua maior parte por coloniões e brachiárias, estão secas, sem rebrota, com baixo valor nutritivo, informou no começo desta semana o veterinário José Francisco Lacerda, coordenador de Pecuária, da Emater, na região de Paranavaí. Tomar alguma atitude hoje não valerá nada, pois as ações deveriam ter sido decididas na primavera anterior. Que a lição sirva desta vez: para tornar a entressafra menos prejudicial em 1998, será necessário tomar iniciativas em setembro-outubro próximo.
Dos pastos mais cultivados, os coloniões são menos resistentes à seca e ao frio do que as braquiárias, diz Lacerda. No entanto, seja qual for o capim utilizado, o inverno será ruim ou péssimo, para a pecuária, conforme o manejo adotado pelos fazendeiros. Lacerda diz que o grande problema nesta época está no manejo.
Por exemplo, a grande maioria das propriedades, de pequeno e médio porte, mantém a lotação sempre acima da capacidade das pastagens e não deixa os pastos descansarem: mal sai uma boiada para o frigorífico, entra outro lote, não deixando o capim recuperar-se. Estes produtores não respeitam o ciclo vegetativo das plantas, observa o veterinário.
Os estabelecimentos maiores ou mais organizados têm reserva de silagem e capineiras (cana, napier). E, se não têm mais pasto, utilizam suplementação com ração concentrada. O normal é mesmo a produção cair nesta época, e tende a piorar daqui para frente. No gado leiteiro (pouco no Noroeste) a perda média, na região, é de 30%, mas há casos em que chega a 50%-60%.
De sua parte o gado leiteiro deixa de ganhar peso e até emagrece. Só ganha peso em confinamento ou em semiconfinamento, ou no pasto com suplementação. Nos 820 mil hectares de pastagens nos 29 municípios da região de Paranavaí, a média histórica do rebanho é de 1,1 milhão de cabeças. Este é o número comprovado pela vacinação contra aftosa, porém é comum sitiantes, proprietários de poucas cabeças, não vacinarem. Assim, o rebanho pode ser maior.


