Se a produção de Uraí gira em torno de 680 toneladas de noz-pecã, boa parte dela é graças à tradição da família do produtor Mauro Yoshida no negócio. Há 40 anos, seu avô, que sempre gostou de trabalhar com culturas diferenciadas, resolveu apostar no plantio das primeiras nogueiras, após trazer algumas mudas de uma viagem aos Estados Unidos. Hoje, a plantação gira em torno de 4,5 mil pés e a expectativa é de colheita de 55 toneladas da fruta nesta safra, que vai de abril e junho.
Yoshida explica que a produção não é tão constante. Ele comenta que no ano passado, o número de toneladas foi o mesmo do projetado para este ano, mas ele já chegou a colher 90 toneladas da fruta. A produtividade dele, portanto, deve ficar em 12 quilos por planta. Em alguns pomares jovens do Estado, a produção pode girar de 15 a 20 quilos por pé, que se compara com a produtividade de pomares dos Estados Unidos e México.
"Temos pés mais novos, outros velhos, e por isso a produção oscila dessa forma. Além disso, acredito que o clima dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina são melhores para o plantio do que o nosso", comenta ele.
Na época da safra, o produtor contrata por volta de 40 pessoas para trabalhar na colheita. O procedimento de retirada da fruta das altas nogueiras e recolhimento do chão é todo manual. "Em relação aos cuidados com a árvore, aplico fungicida contra doenças de duas a três vezes por ano e realizo adubação uma vez por ano", relata.
Como salienta o Deral, para ganhar dinheiro nesse tipo de cultura é preciso ter conhecimento também sobre a comercialização. Se um quilo da noz-pecã em coco sai, em média, por R$ 5, o mesmo quilo beneficiado pode ser comercializado a R$ 30. Por isso que Yoshida realiza, inclusive, o beneficiamento do produto em sua empresa, a Pecanoz Comércio de Nozes. "Vendo 95% do meu produto para grandes empresas de São Paulo, acabo comercializando no atacado", explica.
O interessante é que o beneficiamento acontece praticamente durante o ano todo. "Entre os meses de abril, maio e junho nós colhemos o produto e nos outros meses realizamos o beneficiamento. Até o final desse mês devemos acabar com o nosso estoque", complementa o produtor. (V.L.)

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